Projetos de infra mobilizam fabricante de dispositivos ópticos

Por Nelson Valencio – 19.10.2016 –

Dez por cento do faturamento da Skylane Optics, sediada em Campinas, devem vir da implantação de redes ópticas em aeroportos, ferrovias, rodovias e portos. E esse mercado tende a crescer nos próximos anos.

O que um fabricante de transceptores ópticos como a Skylane tem a ver com projetos de infraestrutura? À primeira vista parece difícil associar as duas coisas. Mas vamos por partes. Os transceptores ópticos são componentes que fazem a conversão de sinais elétricos em ópticos e, portanto, estão em praticamente toda terminação de fibras. Logo, a ativação de infraestrutura de cabos ao longo de uma ferrovia vai, necessariamente, precisar de transceptores. E esse universo de clientes deve representar 10% do faturamento da filial da corporação belga. Para Rudinei Santos Carapinheiro, Desenvolvedor de Negócios da unidade local, a importância de projetos em infraestrutura deve aumentar nos próximos anos.

Somente na área de ferrovia, a companhia está sendo consultada para participar de pelo menos quatro deles, todos capitaneados por concessionárias privadas. Outro setor ativo, segundo Carapinheiro, é o de portos, onde a empresa já tem a experiência. Em rodovias, a Skylane tem o histórico de ter fornecido tecnologia para a CCR MSVia, concessionária com operação no Mato Grosso do Sul. A GRU Airport, empresa que administra o aeroporto internacional de Guarulhos, é outra cliente recente e, nesse caso, os dispositivos ópticos foram usados nas redes ativadas pela concessionária.

De acordo com Carapinheiro, a interface varia de acordo com o segmento de infraestrutura. As donas de concessões ferroviárias geralmente assumem o projeto, enquanto as redes ópticas em instalações portuárias tendem a ser coordenadas por uma integradora, que faz o meio de campo entre o cliente final e os fornecedores como a Skylane Optics. “Vários projetos estão saindo do papel desde que houve uma sinalização governamental da retomada de investimentos em infraestrutura”, resume o executivo.

A maior parcela de faturamento da empresa, no entanto, vem de dois outros mercados. O primeiro deles é o de operadoras de telecomunicações tradicionais, que representam metade da receita da fabricante. Apesar da crise, o peso das operadoras aumentou, uma vez que a Skylane teria uma precificação pelo menos 70% menor do que seus concorrentes em função de ser a primeira empresa a produzir os transceptores localmente. Esse valor pode aumentar ainda mais: a unidade deve receber sinal verde na aprovação do regime de PPB (processo produtivo básico), o que a habilitaria a vender com financiamento do Finame (BNDES).

O segundo mercado mais importante é o de provedores regionais (ISPs), operadoras de médio e pequeno portes, que foram os primeiros clientes da Skylane desde que a companhia se estabeleceu em Campinas (SP) há três anos. “São o nosso público mais fiel”, resume Carapinheiro. Estrategicamente instalada na cidade paulista, a empresa consegue ter acesso rápido ao aeroporto de Viracopos (líder setorial em cargas), à mão de obra especializada e a parceiros tecnológicos. O estoque de US$ 1 milhão em dispositivos garantiria o abastecimento dos clientes potenciais. Produzindo nove modelos de transceptores atualmente, a Skylane deve acrescentar mais dois até o final do ano.

Depois da consolidação da área de transceptores, a fabricante europeia deve avançar para o segmento de fibra óptica plástica, produzida com polímero de cana de açúcar (o método atual utiliza polímeros de petróleo). Esse projeto mais arrojado está sendo pensado em parceria com a Braskem e com institutos de pesquisa, incluindo a área de física da Universidade Federal de Alagoas.

 

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