Qualidade técnica impulsiona empresa de projetos de engenharia para infraestrutura

Rodrigo Conceição Santos – 14.10.2020 –

Com histórico em geotecnia, MMF Projetos deve triplicar faturamento em 2020, reunindo casos de sucesso que vão desde encostas rodoviárias a fundação de monumentos históricos, como o Museu do Ipiranga.

Algumas pontes e viadutos do Trecho Norte do Rodoanel de São Paulo foram traçadas sobre um aterro sanitário. O projeto executivo determinava que as fundações fossem feitas em tubulões, mas durante a execução houve a constatação óbvia de que não seria possível a descida de um poceiro para escavar a base do tubulão em pleno aterro de lixo. Restou aos construtores recorrer a novos projetos de engenharia para vencer o impasse. Uma empresa então recém-constituída por engenheiros com histórico em geotecnia, a MMF Projetos, desenvolveu e teve aprovado um projeto que consistia na aplicação de estacas escavadas. O trabalho ocorreu devidamente, com a ajuda de um equipamento importado especificamente para a obra. Passado o desafio, foi revelado que a MMF era a sexta empresa contatada para o feito, mas a única que aceitou e finalizou o projeto.

Esse é um dos exemplos que os dirigentes da MMF carregam na bagagem para transmitir ao mercado o seu nível de qualidade técnica. E parece que estão conseguindo: com menos de seis anos de existência, a empresa expandiu a atuação inicial de projetos para infraestrutura de edificações industriais. Hoje ela atua em obras rodoviárias, saneamento básico, transportes e até em monumentos históricos, como o Museu do Ipiranga (SP).

Em números, o escritório de projetos de engenharia para infraestrutura toca mais de 30 serviços atualmente e deve fechar 2020 com faturamento bruto de R$ 3,6 milhões, ou o triplo do R$ 1,2 milhão registrado em 2019. “E não param de entrar projetos, como os de drenagem, terraplanagem, pontes e túnel para sete lotes das obras de modernização da Rodovia Rio Santos (SP-055)”, diz Luciano Machado, um dos três sócios da MMF Projetos. Ele pondera que esse contrato está em fase de homologação e o processo está atrasado devido à pandemia.

Quando montaram a empresa, Machado e os sócios tinham como foco atender justamente os projetos de geotecnia para concessionárias de rodovias. “Somos egressos de uma empresa familiar de geotecnia e tínhamos a visão de que esse mercado era carente de bons profissionais. E de fato ele é, mas só tivemos essa confirmação algum tempo depois”, lembra ele.

No início, eles não cooptaram um cliente sequer no setor e viram o seu negócio tomar forma atendendo a demanda por projetos de infraestrutura para obras industriais. “O nosso início coincidiu com o início da operação Lava-Jato, que tirou grandes empresas do mercado, abrindo oportunidades para outras pequenas, como nós”. “Então avançamos com clientes de envergadura, como a Ambev, para qual realizamos projeto de infraestrutura para a construção dos centros de distribuição do Piauí e de Embu das Artes, em São Paulo”, detalha.

Essas obras, junto com o projeto de fundação do Rodoanel Norte, formataram o histórico necessário para a MMF avançar no setor de concessionárias de rodovias, onde começou atendendo projetos de estruturas para taludes e encostas rodoviárias. “Depois calcamos o maior contrato da nossa carteira até então, que consistia em inspecionar todas as estruturas de cortina atirantada de uma grande concessionária”, diz.

O avanço para outras concessionárias foi consequente, assim como o incremento do serviço de inspeção e acompanhamento de obra, que é a menina dos olhos da MMF atualmente. “Seguimos também para outros ramos da infraestrutura, como saneamento básico, transportes e obras em minerações”, revela Machado.

Segundo ele, a sua equipe executou diversos projetos de geotecnia para uma grande mineradora, cujo nome não pode ser citado por questões contratuais, e trabalha hoje em um projeto de dragagem para atender a capacidade volumétrica de um tangue de rejeito dessa mesma extratora no Pará. “A nossa expertise se resume na visita técnica, acompanhada de um parecer para que o cliente faça a investigação e depois nos solicite o projeto básico ou executivo. Em seguida, oferecemos o acompanhamento da obra, algo diferenciado e que tem se mostrado de suma importância, dado que informações levantadas na investigação muitas vezes se mostram diferentes durante a execução, demandando um rearranjo do projeto”, explica.

Os projetos da MMF levam especificações de materiais e métodos de execução. Em casos específicos, também há a especificação de equipamentos, como ocorreu no Museu do Ipiranga, obra realizada pela Concrejato com projeto alternativo de escavação e acompanhamento das obras de geotecnia pela MMF.

Além dos sócios, a MMF tem uma equipe com mais 15 pessoas e atua junto a consultores técnicos experientes, como Claudio Michael Wolle, doutor em engenharia geotécnica e professor da Escola Politécnica da USP. “Hoje entendo que os desafios que vencemos, desde o primeiro caso relatado aqui (Trecho Norte do Rodoanel), são frutos do corpo técnico de qualidade que reunimos e que nos dá condições de avançar sistematicamente no mercado de infraestrutura, que deve estar pujante nos próximos anos”, diz.

Em um artigo publicado recentemente no jornal o Estado de São Paulo, Machado contextualiza que devem haver bons negócios no setor de saneamento básico, com investimentos de cerca de R$ 15 bilhões anuais atraídos após a aprovação do novo Marco legal. A projeção também é boa para o nicho de transporte e logística, igualmente impulsionado por uma Lei, a de Cabotagem (BR do Mar), cuja expectativa é atrair R$ 1 trilhão de aportes nos próximos 10 anos.

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