Rede e conectividade não são problemas para digitalização das utilities

InfraDigital – 26.03.2021

Avaliação é de Marcel Tolentino, gerente corporativo de Telecomunicações da Neonergia

Com atuação em 18 estados e no Distrito Federal, a Neoenergia é uma das gigantes do setor de energia no Brasil, com foco em geração e distribuição. A companhia tem cerca de 75 mil ativos digitalizados, entre vários dispositivos de rede, o que significa a geração de cerca de 10 gigabites de volume de dados em termos de monitoramento. Parece muito, mas ele tende a aumentar e isso não acontece em ritmo maior pelas limitações regulatórias. “Não expandimos a digitalização por falta de conectividade. Existem soluções tecnológicas para a expansão, mas as questões regulatórias precisam ser incentivadas”, argumenta Marcel Tolentino, gerente corporativo de Telecomunicações da empresa, que é controlada pela espanhola Iberdrola.

Tolentino avalia que o processo se repita em outras concessionárias de energia e em outras áreas de companhias que prestam serviços públicos, incluindo fornecimento de água e gás. Ele lembra que foram os incentivos regulatórios que levaram a Iberdrola a ter uma ampla cobertura digital de sua rede na Espanha. Lá cerca de 90% dos ativos já estão digitalizados. De acordo com Tolentino a arquitetura de rede espanhola, com uso da tecnologia de Power Line Communications (PLC) ajuda no processo. Grosso modo, o PLC usa a própria rede de energia elétrica – uma infraestrutura existente – para transmissão de serviços de telecomunicações.

As barreiras regulatórias, por exemplo, limitam a adoção da telemedição. Os leituristas poderiam ser substituídos no Brasil e direcionados para outras atividades, porém o alto custo de implementação de medidores inteligentes é um dos impeditivos. Medir remotamente o consumo de energia e controlar o funcionamento dos medidores, como o desligamento em caso de inadimplência, são ações tecnicamente factíveis, mas que podem não ser viabilizadas pelos custos. Conectividade não é um problema. Há redes de todos os tipos para isso, de infraestrutura celular à satelital, passando é claro pelas opções que viabilizam a Internet das Coisas, incluindo o NB-IoT ou rede de IoT, que adota a banda estreita e é dedicada à coleta e transmissão de dados.

Apesar de não avançar tanto como gostaria, a Neonergia potencializa os ativos digitais por meio de um centro de monitoramento completamente dedicado a eles. A instalação acaba sendo uma fonte de para aprimorar o centro de gerenciamento tradicional da concessionária. Tolentino adianta que a empresa está desenvolvendo algoritmos que permitam antecipar – por meio de Inteligência Artificial e big data – possíveis falhas em dispositivos de campo, evitando despachos desnecessários de equipes de campo. Os testes atuais indicam que a predição pode acontecer em pelo menos 12 horas, ou seja, os problemas são identificados 12 horas antes de acontecer, e com uma assertividade de 90%.

“Muitas vezes os clientes na ponta nem sabem dos benefícios da digitalização, pois estão focados em saber se a conta de luz vai aumentar ou não, o que é uma questão decidida pela Aneel”, brinca Tolentino. “Eles não tem noção que há tecnologias que permitem a chamada autocura ou self healing de problemas na rede, muitas vezes sem a necessidade de presença de técnicos no local”, finaliza.

Marcel Tolentino é um dos participantes do UTCAL Summit Online, evento digital que acontece nessa semana, com especialistas de utilities.

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