Tendências das redes em 2021: Automatizando o caminho a seguir

Héctor Silva (*) – 11.12.2020 – 

É seguro dizer que 2020 tem sido um ano muito atípico. Na indústria das telecomunicações, os provedores de rede experimentaram uma mudança de uso em locais urbanos para outras áreas que tradicionalmente não precisavam de conectividade em nível empresarial, reflexo do trabalho remoto e sistema educacional à distância implementados no nosso dia a dia.

Com os planos dos provedores de rede para implementar a próxima geração de tecnologias, que incluem a preparação para uma prática mais ampla do 5G, Héctor Silva, líder de vendas para contas globais da Ciena, elenca os principais pontos que os provedores, conforme nos aproximamos do novo ano, devem esperar e o que podem fazer para se preparar.

I.                    5G: Agora disponível

Após anos de manchetes, os primeiros lançamentos do 5G na América Latina aconteceram, oficialmente, em 2020. Os espectros passados e futuros do 5G tendem a mostrar que os componentes essenciais estão finalmente em seus lugares para que a próxima geração de rede móvel se torne uma realidade.

Essas mudanças tornaram os provedores introspectivos sobre o estado de suas redes e como incorporar a vasta quantidade de novos equipamentos necessários para oferecer suporte ao 5G. O cumprimento desses serviços necessita de uma automação inteligente. Particularmente, a automação em loop fechado requer a avaliação da integridade e desempenho das redes em tempo real. Ele identifica e corrige problemas automaticamente, uma vez que um erro em uma parte da rede pode afetar a conformidade com os SLAs estritos. A habilidade de detectar e corrigir problemas proativamente é bem-vinda em um ambiente cada vez mais complexo. Os provedores de rede estão transformando a maneira como constroem, operam e conectam redes em seus negócios.

II.             Nuvens por toda parte

Os novos serviços e aplicações do 5G precisam ser processados em algum lugar. Uma vez que os requisitos de latência para muitas aplicações relacionadas ao 5G (AR/VR, cloud gaming, manufatura conectada, etc.) não podem ser satisfeitos com a atual infraestrutura centralizada de nuvem (cloud), os provedores de rede estão prestando mais atenção ao tempo médio de nuvem ou quanto tempo leva para um dado se mover entre usuários finais e data centers.

Ter uma infraestrutura de nuvem interconectada com centros de processamento de data cloud de ponta para aplicações intolerantes à latência e dependência contínua de data centers centralizados para aqueles que são toleram latência criarão uma potente infraestrutura de cloud que pode lidar com as demandas de 5G.

III.           Arquiteturas de rede flexíveis

Os provedores de rede da região da América Latina e em todo o mundo estão buscando uma maneira flexível de construir redes e repensar suas configurações para terem a liberdade de escolher os melhores componentes entre diferentes fornecedores – afastando soluções totalmente integradas e contornando o aprisionamento tecnológico (vendor lock-in). Em vez de usar soluções de um único fornecedor (muitas vezes de uma implantação original), os provedores de rede estão mudando suas infraestruturas para interfaces abertas e modelos padrões e comuns. Os fornecedores também devem adaptar suas tecnologias para cumprir esses novos padrões. As discussões contemporâneas sobre telecomunicações frequentemente se voltam para quais padrões devem ser usados e como devem ser implementados. 

A cada ano, quando os provedores de conteúdo na internet planejam novos orçamentos e demandas de rede, as restrições do aprisionamento tecnológico (vendor lock-in) diminuem a capacidade de usar as melhores tecnologias. Por outro lado, com transporte aberto, os provedores podem adaptar suas redes para produzir custos mais baixos e oferecer aos usuários finais novos serviços e aplicações que consomem dados, como 5G, cloud gaming e streaming de vídeo, sem afetar as necessidades de largura de banda do dia a dia.

IV.            Software torna viável o modelo de negócios dos provedores de rede

Apesar dos benefícios fornecidos por arquiteturas de rede flexíveis, a desagregação pode criar um conjunto de desafios para os provedores de rede, especialmente em relação à complexidade. No passado, quando as soluções de um único fornecedor eram mais comuns, eles normalmente ofereciam um software de gerenciamento de rede de ponta a ponta. Com a evolução para o 5G, IoT e outras tecnologias relacionadas, as redes estão se abrindo para diversas funções físicas e virtuais de vários fornecedores – portanto, a inteligência de rede aprimorada na camada de controle deve gerenciar a complexidade e reduzir a carga sobre os provedores de rede para que, mais efetivamente, eles possam planejar, entregar e monitorar os serviços. Este processo deve ser gerenciado por uma automação sem contato físico.

Os provedores questionam cada vez mais se suas arquiteturas de rede estão preparadas para suportar novos serviços como o 5G. Portanto, é vital ter um software de segurança na base das redes que pode unificar o conjunto diversificado de componentes e tecnologias em uma única “linguagem”. Isso é necessário especialmente porque nenhum fornecedor pode fornecer, de ponta a ponta, todas as tecnologias da qual esses serviços precisam. Ao substituir os processos manuais e a miscelânea de softwares de gerenciamento de rede associados para manter uma rede atualizada e garantir que os componentes funcionem adequadamente, um software projetado para gerenciar complexidade tornará esses serviços uma realidade.

Conclusão

As novas demandas de rede exigirão uma revisão sobre como abordamos a vida útil completa de uma arquitetura de rede – do planejamento até a garantia. O aumento no uso de largura de banda mostra que arquiteturas de rede aberta e práticas e padrões comuns para reduzir a complexidade tornam a vida mais fácil para os provedores de rede. A automação está desempenhando um papel fundamental em garantir que esses serviços funcionem bem e que o empecilho de encontrar e corrigir problemas não seja baseado em processos manuais para operar as redes.

A mudança repentina em relação ao trabalho remoto e o sistema educacional à distância em todo o mundo no início do ano nos deu um vislumbre das mudanças que as redes podem experienciar e como pode ser o futuro para os provedores de rede na América Latina.

* Héctor Silva é líder de vendas para contas globais da Ciena.

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