Veja o mapa do inferno da infraestrutura no Brasil, segundo o Banco Mundial e consultores

Da redação – 20.06.2016 –

Avaliação de infraestrutura “deplorável”, feita pela instituição, junta-se ao valor movimentado pelas empresas investigadas na Lava Jato e na Zelotes – elas juntas representam 14% do PIB. País sofre as consequências do processo. 

A semana começa dura para o setor de infraestrutura. Duas grandes notícias marcaram esse domingo na chamada grande imprensa. O primeiro deles é a avaliação do setor pelo Banco Mundial. A situação do setor é classificada como “deplorável” pelo diretor para infraestrutura Paulo Procee. A instituição finalizou um estudo para sinalizar sua ação no país até 2020 e as críticas não são poucas. As construtoras, na análise do banco, estão “sossegadas”, falta planejamento, financiamento de instituições financeiras privadas locais e, principalmente, sobram projetos mal elaborados. Em suma, o setor precisa reinventar-se rapidamente.

Outro destaque da avaliação do Banco Mundial é a respeito da corrupção. Segundo Procee, o mercado fechado ajuda nesse processo, ao facilitar a formação de cartéis. A burocracia, com centenas de pequenas regras, por outro lado, cria uma barreira para as construtoras e empresas de engenharia internacionais. Para Procee, a contribuição do Banco Mundial pode se focar mais no desenvolvimento de bons projetos do que em valores, uma vez que o órgão estima ter uma carteira de apenas R$ 10 bilhões para o país nos próximos quatro anos.

A dura avaliação do executivo, prestada em entrevista ao portal UOL, do grupo Folha de S.Paulo, ganha ainda mais relevância com os números divulgados ontem pelo jornal O Estado de S.Paulo a respeito do impacto das operações Lava Jato e Zelotes sobre as empresas que movimentam o setor de infraestrutura. As 32 empresas envolvidas em ações na Justiça Federal e em inquéritos nas operações representam nada menos do que 14% do PIB, ou seja, movimentariam aproximadamente R$ 760 bilhões. Movimentariam, uma vez que praticamente todas estão em reestruturação financeira.

“Não é um número desprezível. Se considerado o impacto indireto sobre a cadeia de petróleo e construção pesada do País, o estrago é chocante, de proporções incomensuráveis”, confessou o economista José Mendonça de Barros, sócio da MB Associados.. Para ele, a pergunta é “quais serão os impactos para o país, olhando daqui para a frente”. Alguns dados já dão parte da resposta, segundo a própria reportagem: demissão de cerca de 1 milhão de profissionais nos últimos meses, dos quais cerca de 140 mil no setor de construção. Desde 2014, somente a Odebrecht já teria demitido 50 mil pessoas. A matéria cita ainda 170 mil profissionais desligados na Petrobras.

Para Mendonça e outros consultores ouvidos, a mudança vai acontecer na forma de realização de negócios, o que pode significar maior transparência, mas o processo não será fácil, em função da necessidade de busca de créditos. É interessante notar que novos processos podem ser redesenhados, caso das parcerias público privadas e da participação de grupos internacionais, como vem noticiando o InfraROI nos últimos meses. A conferir os próximos passos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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