Uma pesquisa feita com os participantes do evento Infra Antioquia GRI 2026, realizado em 16 de abril em Medellín, na Colômbia, aponta que os projetos de infraestrutura logística impulsionam o otimismo de investimentos no departamento de Antioquia. O encontro reuniu investidores, bancos locais e internacionais, construtoras, empresas de energia e representantes do poder público, e foi aproveitado para conduzir a pesquisa Termômetro do GRI, que contou com a 45 participantes com poder real de decisão sobre projetos e fluxos de capital.
Equivalente a um estado brasileiro, a Antioquia é o segundo motor econômico da Colômbia e, em 2024, registrou PIB de R$ 337 milhões na conversão para o real, 14,8% do total colombiano, atrás apenas da capital Bogotá. As ferrovias lideram os investimentos com ampla vantagem (59,38%), refletindo o entusiasmo, especialmente em torno da Ferrovia de Antioquia, e o potencial dos sistemas ferroviários regionais para integrar a produção agroindustrial, minerais e carga geral a um custo logístico mais competitivo.
Ainda na questão de integração nacional, o segundo lugar é ocupado por rodovias e logística intermodal (40,63%). Em termos de rodovias, os projetos de Parceria Público-Privada (PPP) que se sobressaem, para a rodovia La Pintada-La Ceja (investimento estimado em US$ 1,8 trilhão) e a rodovia El Santuario-Providencia (US$ 2,2 trilhões) estão recebendo atenção especial (atualmente em fase de estudo e projeto).
Energia também puxa investimentos de infraestrutura na Antioquia
Empatados em terceiro lugar, estão mobilidade urbana, aeroportos e energia, todos com 34,48% do interesse dos participantes, mas o estudo destaca a geração de energia devido ao contexto colombiano. Com 63,1% (média de janeiro de 2022 a maio de 2026) da capacidade instalada concentrada em geração hidrelétrica, prevê-se um déficit energético significativo nos próximos anos, caso os projetos de geração já em andamento não sejam acelerados.
Nesse contexto, Antioquia emerge como uma plataforma para projetos hidrelétricos atrativos, com destaque para Hidroarma, dois projetos interligados localizados entre os departamentos de Antioquia e Caldas que, uma vez construídos, terão uma capacidade instalada combinada de 174 MW. Segundo o Termômetro do GRI, este empreendimento está pronto para construção, além de outos projetos de usinas hidrelétricas de menor escala em fase de pré-construção ou estudo de viabilidade.
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Desafios
O mercado, segundo o relatório, não está pedindo mais gasto público, mas sim um ambiente institucional confiável. Isso significa que o maior problema não é financeiro, mas sim de governança. Cerca de 60% dos investidores querem previsibilidade através de regras que não mudem constantemente, contratos que sejam cumpridos e processos que não se arrastem indefinidamente.
É preciso destacar que a pesquisa foi feita às vésperas de uma eleição presidencial. O pleito foi encerrado nesta semana e o vencedor foi o candidato da oposição, Abelardo de la Espriella. Entre os desafios que os respondentes esperam que o novo presidente supere estão o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e investimento público (57,14%) e o fomento a investimento privado de longo prazo (51,43%).


