Relatório chinês destaca impacto do Novo PAC na infraestrutura nacional

Relatório internacional destaca programa federal como principal motor dos investimentos em infraestrutura no País

Por Redação

em 22 de Junho de 2026
Obras da nova pista do Aeroporto de Macaé (RJ), que rendeu à CBM destaque no prêmio Inova (foto: Infra / Divulgação).

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) foi apontado como o principal responsável pelo avanço da infraestrutura brasileira nos últimos anos, segundo relatório divulgado em junho de 2026 pela China International Contractors Association (CHINCA) e pela China Export and Credit Insurance Corporation (Sinosure). O estudo destaca o programa como um dos fatores decisivos para que o Brasil alcançasse a liderança no Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura dos Países de Língua Portuguesa (BRIDi).

O levantamento analisa nove países lusófonos e classifica o Brasil na primeira posição com 129 pontos, alta de um ponto em relação a 2025. O relatório menciona diretamente o Novo PAC ao explicar o crescimento do País, destacando a expansão dos investimentos em energia elétrica, transportes e infraestrutura digital como vetores centrais do crescimento.

Modelo de investimento é diferencial do Brasil

O relatório chinês destaca a política brasileira de investimento público em infraestrutura com horizonte de longo prazo e capacidade de execução contínua. Segundo o documento, os demais países lusófonos dependem de financiamento externo e parcerias com empreiteiras estrangeiras para viabilizar suas carteiras de projetos.

Dados do governo federal mostram que, até agosto de 2025, já haviam sido executados R$ 944,8 bilhões dos R$ 1,3 trilhão previstos para aplicação do programa entre 2023 e 2026, o equivalente a 70,8% do total programado. Para associações como a CHINCA, que orienta investimentos de construtoras em mais de 70 países, as características do Brasil são o tipo de sinal que diferencia um mercado estruturado de um mercado dependente de ciclos externos.

O segundo lugar do ranking ficou com Moçambique (118 pontos), impulsionado por projetos de energia e pelo apoio de instituições financeiras multilaterais. Angola aparece em terceiro (115 pontos), com avanços no corredor ferroviário de Lobito e na expansão solar no sul do país.

Áreas em que o Novo PAC mais influencia, segundo o relatório

A transição energética está no centro da demanda projetada pelo BRIDi para o Brasil em 2026. O índice registra crescimento esperado de 23,4% na capacidade instalada de energia eólica e solar em relação ao ano anterior. Dois projetos lideram esse avanço: o complexo fotovoltaico Rui Barbosa, de 400 MW, e o parque eólico Serra do Assuruá, de 846 MW, ambos na Bahia, entregas que somam 1.246 MW de energia limpa chegando à rede elétrica. O Novo PAC tem impacto direto nessa área, pois impulsionou a construção de corredores de transmissão de alta tensão entre o Nordeste, maior produtor de energia renovável do País, e os centros de consumo do Sudeste.

Na mobilidade, o programa sustenta uma carteira robusta. São Paulo bate recorde histórico em investimentos em trilhos, com R$ 79,9 bilhões aportados. A ferrovia intercidades São Paulo–Campinas entrou em obras com investimento de R$ 142 bilhões. Oito licitações ferroviárias federais foram lançadas com traçados que somam 9 mil quilômetros e R$ 140 bilhões em investimento direto. Nos portos, nove projetos de modernização foram aprovados com R$ 5,1 bilhões.

O BRIDi também destaca a expansão do 5G para o interior do Brasil. O relatório aponta a chegada das redes ao Centro-Oeste agrícola como salto qualitativo — conectividade que viabiliza automação, monitoramento remoto e redução de perdas na cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda em infraestrutura digital, o relatório destaca a implantação de grandes data centers verdes em São Paulo e Fortaleza, alimentados diretamente por energia solar.

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