Segundo uma pesquisa da Bow-e com mais de 200 consumidores em todo o Brasil, 72,6% dos entrevistados dizem que gostariam de decidir de qual empresa comprar energia elétrica. O estudo expõe o descompasso entre o desejo de pagar menos e a falta de informação sobre como o sistema funciona, já que 60% dos consumidores desconhecem que poderão escolher seu fornecedor de energia a partir de 2028, contudo, entre esse grupo, 70,2% afirmam que já gostariam de exercer esse direito.
Em um cenário de aperto financeiro para os orçamentos familiares, o fator determinante para a mudança é objetivo: o preço da tarifa foi apontado por 67,4% dos entrevistados como o principal critério de escolha. Qualidade do atendimento (11,6%), energia de fontes renováveis (7,4%) e programas de benefícios (7,4%) aparecem em seguida.
Migração ainda não está clara para população
O desconhecimento atinge a própria compreensão das regras atuais do setor elétrico. De acordo com o estudo, 37,9% dos entrevistados acreditam que a possibilidade de escolher a comercializadora é uma exclusividade de grandes empresas e indústrias. Apenas 20% sabem que a escolha do fornecedor de energia já é uma realidade no País para determinados perfis de consumo no Brasil.
Essa falta de familiaridade contrasta com a rotina de outros serviços concedidos. Para 43,2% dos ouvidos, ainda não é possível trocar de fornecedor de energia da mesma forma que se troca de operadora de telefonia ou plano de internet — 36,8% reconhecem que a transição já está em curso e 20% não souberam avaliar.

Fonte: Pesquisa Interna Bow-e.
Mercado livre de energia precisa se esforçar na comunicação
Na avaliação de Ciro Neto, CEO da Bow-e que é a empresa de geração distribuída do Grupo Bolt, os resultados mostram que a abertura do mercado livre exigirá um esforço de comunicação tão relevante quanto o regulatório. “Os dados mostram que existe uma demanda espontânea por liberdade de escolha antes mesmo de o consumidor conhecer a mudança regulatória. Isso significa que o desafio do setor não será despertar interesse, mas ampliar o acesso à informação para que as pessoas entendam como o mercado funciona e a partir disso, tomar decisões conscientes quando a abertura ocorrer.”
Para o executivo, embora o valor da conta seja o atrativo inicial, a consolidação desse novo mercado exigirá maturidade das empresas para além da tarifa. “O preço naturalmente será a porta de entrada para a competição. Mas, conforme o mercado amadurece, fatores como qualidade do atendimento, transparência e serviços agregados passam a ser determinantes para fidelizar esse consumidor no ambiente livre”, conclui.


