O uso de inteligência artificial (IA) está ganhando espaço na gestão das rodovias concedidas de São Paulo. Entre as iniciativas em expansão estão câmeras capazes de identificar situações de risco, comportamentos dos motoristas e alterações no fluxo de veículos, além de sistemas que auxiliam o monitoramento e a tomada de decisões pelas concessionárias e autoridades responsáveis.
Na Rodovia Raposo Tavares, por exemplo, o trecho entre os quilômetros 15 e 20 monitorado por câmeras com recursos de inteligência artificial registrou, em julho e agosto de 2026, redução de 22% nos sinistros na comparação com o mesmo período do ano anterior. As ocorrências com vítimas graves ou fatais caíram 80%, passando de cinco para uma.
Os equipamentos instalados na rodovia conseguem identificar possíveis condutas infracionais, como uso de celular ao volante e ausência do cinto de segurança. As imagens servem de apoio à fiscalização e precisam passar pelos procedimentos previstos pelas autoridades competentes antes de eventual autuação. Em testes realizados anteriormente na Raposo Tavares, os sistemas chegaram a identificar cerca de mil ocorrências desse tipo em 72 horas.
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Entidade aponta pontos positivos da IA nas rodovias
Para a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), a incorporação de IA à gestão das rodovias pode trazer ganhos importantes para a segurança e a eficiência das operações. Segundo Carlos Panzan, presidente da entidade, o avanço dessas ferramentas amplia a capacidade de identificar riscos e responder mais rapidamente a ocorrências nas estradas.
Além do videomonitoramento, as rodovias paulistas vêm incorporando ferramentas capazes de contar, pesar e classificar veículos, registrar velocidade média e produzir dados sobre a circulação. Para 2027, uma nova etapa de modernização das concessões prevê 177 câmeras adicionais com detecção automática de incidentes, além de sistemas para análise de tráfego, monitoramento do peso de veículos em movimento e oito novos radares.
Para a Fetcesp, esse conjunto de informações pode contribuir para identificar trechos mais carregados, pontos críticos e necessidades de intervenção, além de apoiar o planejamento tanto do poder público quanto das empresas. “Quanto mais informação de qualidade estiver disponível sobre a rodovia, maior é a capacidade de planejar. Para o transporte de cargas, isso pode significar melhores decisões sobre rotas, horários e operação, enquanto os gestores das rodovias passam a ter mais elementos para direcionar intervenções e melhorar a segurança”, explica Panzan.
Digitalização não deve deixar investimento em infraestrutura para trás
A Federação pondera, porém, que a digitalização das rodovias precisa avançar em paralelo aos investimentos na infraestrutura física. Condições do pavimento, sinalização, acessos, capacidade das vias e oferta de pontos adequados de apoio continuam sendo fatores determinantes para a segurança e a produtividade do transporte.
A própria modernização das concessões paulistas combina tecnologia com intervenções físicas, como ampliação de capacidade, duplicações, novas faixas, passarelas, melhorias de acessos e pavimentação. Para o setor, essa integração é fundamental para que os ganhos tecnológicos sejam convertidos em maior segurança e previsibilidade operacional.
“A tecnologia não substitui uma infraestrutura de qualidade. Os dois caminhos precisam avançar juntos. Sistemas modernos de monitoramento têm muito mais resultado quando estão inseridos em rodovias bem conservadas e dentro de um planejamento de longo prazo. Essa combinação é que pode reduzir riscos e dar mais previsibilidade às operações de carga”, destaca o presidente da Fetcesp.


