Em um esforço conjunto dos ministérios das Comunicações (MCom) e dos Transportes, o Governo Federal lançou, na semana passada, a Política Nacional de Conectividade em Rodovias, que traz a meta de dobrar a cobertura de telefonia móvel nas rodovias federais nos próximos anos. A intenção é sair dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros com sinal. A iniciativa busca ampliar e qualificar o acesso à internet móvel, fortalecendo a logística, a segurança viária, o transporte de cargas e a comunicação de milhões de brasileiros que cruzam diariamente o país pelas estradas.
O MCom indica que está reorganizando todos os instrumentos disponíveis — regulatórios, tecnológicos e financeiros — para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha nacional. No total, a política prevê ampliar a cobertura do serviço de telefonia móvel em 72,3 mil quilômetros, incluindo as rodovias federais e estaduais. As metas de ampliação são anuais e, para 2027, a previsão é conectar 16 mil quilômetros das estradas federais, incluindo toda os 4,8 mil km da BR-101, que liga o Nordeste ao extremo Sul.
Leilão e compartilhamento de sinal devem expandir conectividade em rodovias
A expansão será possível por meio da integração de diferentes instrumentos do governo, como o leilão da faixa de 700 MHz. A proposta é transformar os compromissos do certame em investimentos voltados para ampliar o serviço móvel ao longo das rodovias. Outra frente decisiva da nova política é o compartilhamento obrigatório de sinal entre operadoras, garantindo que cada usuário possa utilizar 4G ou 5G de outra empresa nos trechos onde sua operadora contratada não tenha cobertura. Esse mecanismo, chamado de itinerância obrigatória, também atenderá rodovias estaduais, levando conectividade a 59 mil quilômetros de estradas federais e estaduais.
O Ministério das Comunicações estima que, com a estratégia de compartilhamento (roaming), a cobertura disponível para o consumidor nas rodovias federais passe de 36,6% para 58,9%. No caso da cobertura territorial, o avanço da cobertura previsto é de 27,2 mil para 44,1 mil quilômetros.
A política ainda integra as concessões rodoviárias, tornando a conectividade uma obrigação contratual, tanto para novas quanto para antigas concessões.


