Falta de infraestrutura de rede ameaça avanço da energia limpa no Ceará

Hub de hidrogênio verde enfrenta obstáculos para conexão ao sistema nacional; empresas cobram soluções estruturais

Por Redação

em 26 de Junho de 2025

O avanço da produção de energia limpa no Ceará, com destaque para o hidrogênio verde, tem esbarrado em um obstáculo estrutural: a falta de capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) para conectar novos projetos à rede elétrica. A situação já compromete a viabilidade de empreendimentos previstos para o Complexo do Pecém, que envolvem investimentos de bilhões de reais.

As recentes negativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a pedidos de acesso feitos por três projetos ligados ao hub de hidrogênio verde acenderam o alerta no setor. A preocupação é que a geração renovável esteja crescendo mais rápido do que a infraestrutura de transmissão disponível, o que pode comprometer a consolidação de um dos mercados mais promissores da nova matriz energética brasileira.

Empresas com atuação em obras de infraestrutura pesada e energética, como o Grupo Cordeiro, têm acompanhado com atenção o tema e defendem uma resposta mais ágil por parte do poder público e dos órgãos reguladores. Segundo Aldelfredo Mendes, diretor comercial da empresa, o hub cearense tem potencial para reposicionar o Brasil no cenário global, mas sem rede para escoar a energia gerada, existe o risco de que esses projetos fiquem apenas no papel.

Transmissão é o principal gargalo para a energia limpa no Ceará

Especialistas confirmam que o gargalo está principalmente na defasagem dos sistemas de transmissão, que não acompanham o ritmo dos investimentos em novas fontes renováveis. A preocupação se acentua com o caso do Ceará, onde a vocação para energia eólica, solar e hidrogênio verde é clara, mas enfrenta barreiras técnicas e burocráticas para se conectar ao SIN.

A CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado, diz que o setor avançou significativamente com o marco legal para o hidrogênio de baixa emissão de carbono, com previsões de incentivos importantes a partir de 2028. Agora, ela diz ser preciso garantir que a infraestrutura de transmissão acompanhe esse desenvolvimento.

“As negativas recentes do ONS não só comprometem a viabilidade técnica e econômica dos empreendimentos, mas também ameaçam o protagonismo do Brasil e do Ceará na transição energética global. Não podemos perder tempo, o mundo não vai esperar que resolvamos nossos entraves internos para se mover em direção à descarbonização”, afirma.

O setor de infraestrutura aponta ainda a necessidade de maior previsibilidade e articulação entre os entes federativos, para que obras de linhas de transmissão e subestações aconteçam em compasso com os projetos de geração. Segundo o Grupo Cordeiro, o problema já afeta não só o cronograma de entrega dos projetos, mas também a confiança dos investidores.

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