A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) abriu a maior chamada pública de biometano já realizada pela empresa, com o objetivo de contratar até 250 mil metros cúbicos por dia do combustível renovável produzido em Minas Gerais e entregue na região do Triângulo Mineiro. As propostas podem ser enviadas até 3 de junho de 2026 e o contrato terá vigência de dez anos.
Leia mais
Caso integralmente contratado, o montante pode posicionar Minas Gerais entre os principais polos produtores. A iniciativa contempla flexibilidade logística inédita em chamadas anteriores da companhia. Além da entrega direta na rede de distribuição a ser construída no Triângulo, os fornecedores podem propor o uso de gasoduto virtual, com transporte rodoviário. O modelo permite que produtores comecem a operar antes da conclusão da infraestrutura física de dutos, reduzindo o tempo entre investimento e geração de receita.
A iniciativa marca a entrada efetiva da Gasmig no mercado de biometano com escala comercial e inaugura uma trajetória de contratação que deve crescer ano a ano, em linha com as metas estabelecidas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) e pelo Decreto nº 12.614/2025. A regulamentação federal determina que o consumo de gás natural no País incorpore, no mínimo, 1% de biometano em 2026, percentual que sobe progressivamente até atingir 10% em 2034.
Estratégia de biometano faz parte de diversificação da Gasmig
Para o Grupo Cemig, do qual a Gasmig faz parte, o movimento integra a estratégia de diversificação de portfólio. Segundo a empresa, o biometano será produzido através de resíduos da agropecuária e vai abrir uma nova fronteira econômica para o interior de Minas. A empresa espera criar condições para que produtores rurais, indústrias e municípios possam garantir a transição energética.
O Triângulo Mineiro foi escolhido como região prioritária pela combinação entre forte atividade agroindustrial, alta disponibilidade de resíduos orgânicos e demanda industrial concentrada. A região reúne grandes usinas sucroenergéticas, polos de avicultura, suinocultura e laticínios, todos com potencial significativo para a produção de biogás e sua posterior purificação em biometano.
A chamada também responde a uma demanda crescente do mercado por combustíveis de baixo carbono. O biometano pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, e a chamada da Gasmig prevê precificação específica para o atributo verde do produto, o que aproxima fornecedores e compradores do mercado voluntário de carbono e dos certificados de garantia de origem regulamentados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


