Por Adilson Butzke*
O Brasil é um país de contrastes estruturais: se por um lado somos uma potência em diversos setores, por outro ainda temos oportunidade de desenvolver a nossa infraestrutura, um alicerce sobre o qual se apoiam a produtividade industrial, a integração dos mercados e a competitividade global de uma nação.
Segundo o Observatório do Custo Brasil, a baixa diversificação da matriz logística impõe um custo adicional estimado em R$ 284 bilhões ao setor produtivo, encarecendo o transporte e reduzindo a competitividade das empresas. O estudo Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, divulgado em setembro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), dimensiona o esforço necessário para superar essa lacuna: o país precisaria investir 4,65% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano por pelo menos duas décadas, um patamar bem acima dos 2,27% registrados em 2024.
O mesmo levantamento mostra que a iniciativa privada respondeu por 70,5% dos investimentos em infraestrutura em 2024. Essa participação reforça a importância da combinação de recursos públicos e privados, apoiada em marcos regulatórios estáveis e projetos bem estruturados, para sustentar a modernização do setor no longo prazo.
Diante da dimensão desse esforço, ampliar a produtividade das obras é essencial para aproveitar melhor os recursos investidos. É nesse ponto que a tecnologia assume um papel estratégico, ao oferecer ferramentas para executar os projetos com mais precisão, reduzir desperdícios e aprimorar a gestão dos canteiros.
Parte da resposta a esses desafios passa pela capacidade da indústria de desenvolver equipamentos que ampliem a produtividade e a precisão nos canteiros de obras. As máquinas da linha amarela, como escavadeiras, pás-carregadeiras e retroescavadeiras, contribuem para esse avanço ao combinar capacidade mecânica com automação e recursos digitais de assistência à operação.
Um exemplo é a nova geração de escavadeiras DEX da John Deere. Produzidas na fábrica de Indaiatuba (SP), essas são as primeiras escavadeiras da história da companhia desenvolvidas inteiramente pela engenharia da marca e com tecnologia própria.
As máquinas foram projetadas para ampliar a precisão e reduzir o desperdício. Os movimentos de escavação, por exemplo, ficam mais eficientes a partir de ajustes automáticos feitos por meio de pontos de referência digitais de nivelamento do terreno, que auxiliam na execução das medidas previstas no projeto.
Já o controle de carga e a gestão operacional ganham o auxílio da pesagem em tempo real, que permite acompanhar a quantidade de material movimentado. A segurança também conta com sistemas de visão panorâmica e cercas virtuais, que delimitam os movimentos do equipamento e ajudam a evitar colisões com estruturas e obstáculos.
A conectividade complementa esses recursos ao levar as informações da operação para a gestão da frota. Plataformas digitais permitem acompanhar a utilização dos equipamentos a distância e apoiar o planejamento da manutenção.
A análise desses dados ajuda a identificar períodos de ociosidade e a distribuir melhor as máquinas entre as atividades, conectando o desempenho de cada equipamento às necessidades da obra.
Para que esses avanços se traduzam em resultados, a capacitação dos profissionais precisa acompanhar a evolução tecnológica. Com a digitalização das máquinas, o papel do operador também se tornou mais complexo.
Além de dominar os movimentos do equipamento, esse profissional precisa interpretar alertas, utilizar recursos eletrônicos de assistência e interagir com equipes de suporte remoto. Por isso, a formação profissional deve integrar o planejamento de adoção dos equipamentos, com atualização contínua e treinamento aplicado à rotina de trabalho.
Para contribuir com a formação de operadores, a John Deere tem estruturado parcerias com instituições de ensino industrial e técnico, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), além de manter espaços próprios de treinamento.
A aproximação entre fabricantes, instituições de ensino e empresas de construção ajuda a alinhar essa formação às necessidades dos canteiros e aos recursos disponíveis nas máquinas.
Transformar os investimentos em infraestrutura em ganhos duradouros exige essa integração entre capacidade de execução, tecnologia e qualificação profissional. Ao incorporar equipamentos mais eficientes e preparar as pessoas para utilizá-los, o Brasil amplia suas condições de entregar obras com mais produtividade e qualidade, fortalecendo a competitividade da economia.
*Adilson Butzke é diretor de Vendas e Marketing da divisão de Construção da John Deere para a América Latina.


