Mercado imobiliário mantém expectativas positivas para 2026

Queda da taxa Selic e fortalecimento do Minha Casa Minha Vida indicam um novo ciclo para o setor em 2026

Por Redação

em 12 de Maio de 2026

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) está mais otimista com o futuro do mercado em 2026 após uma nova perspectiva de redução da taxa básica (Selic). A taxa encerrou o ano passado em 15% e reduziu para 14,5% em maio de 2026. A mediana das projeções do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil, aponta para 12,25% ao fim de 2026.

Com essa expectativa, a Abecip destaca que o mercado já opera considerando um novo ciclo monetário, movimento que sustenta a projeção de crescimento de 16% no setor ao longo deste ano. De acordo com a associação, bancos e demais agentes financeiros passaram a reduzir gradualmente as taxas de financiamento ainda no final de 2025, impulsionados tanto pela expectativa de juros menores quanto pela liberação de recursos do compulsório. A tendência, segundo a entidade, é de que a melhora avance desde que o cenário inflacionário permaneça controlado.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirma que cada corte, mesmo que moderado, recoloca milhares de brasileiros no mercado e amplia as possibilidades de aquisição de moradia. Com base em dados do Banco Central, a Abrainc calcula que o impacto mais forte das mudanças na Selic aparece cerca de seis meses após a alteração da taxa. Pelas suas estimativas, uma redução de 0,25 ponto percentual poderia ampliar o acesso ao financiamento para ao menos 215 mil novas famílias.

Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2025, aproximadamente 1,3 milhão de imóveis foram financiados no País. Para 2026, a estimativa da Abecip é alcançar cerca de 1,45 milhão de unidades, refletindo condições de crédito mais favoráveis e maior previsibilidade do ambiente macroeconômico.

MCMV impulsiona o mercado imobiliário e a retomada da Construção em 2026

O momento de reequilíbrio do mercado também passa pelo desempenho dos programas habitacionais e pelo ritmo da construção civil. Para a consultoria Brain Inteligência Estratégica, o Minha Casa Minha Vida (MCMV) permanece como principal indutor da atividade, mantendo resultados positivos em diferentes faixas de renda. A expectativa é de que o programa concentre a maior parte dos lançamentos ao longo do ano.

A meta do governo federal é contratar mais um milhão de unidades em 2026, elevando para três milhões o total de moradias financiadas desde 2023. O ministro das Cidades, Jader Filho, atribui parte desse avanço à ampliação do público atendido, que passou a incluir famílias com renda de até R$ 12 mil mensais. Segundo ele, o programa já responde por cerca de 85% dos novos empreendimentos imobiliários do País.

Na avaliação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor terminou 2025 enfraquecido parte dos indicadores, mas deve apresentar recomposição gradual neste ano com ampliação dos instrumentos de financiamento habitacional, a oferta de crédito específico para reformas e a consolidação da Faixa 4 do MCMV. A entidade reconhece que os negócios ainda são sensíveis ao custo de crédito e que uma redução consistente das taxas de juros é fundamental para destravar investimentos e dar mais previsibilidade ao setor.

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