A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras raras poderá adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar 750 mil novos empregos até 2050, segundo estudo inédito da Amcham Brasil, apresentado semana passada em Belo Horizonte (MG). A perspectiva considera o cenário mais positivo, contando com a participação internacional.
O estudo compara dois caminhos para o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil. No primeiro, os investimentos são financiados majoritariamente por capital doméstico e a produção permanece voltada predominantemente à exportação, com baixa agregação de valor no País. Nesse cenário, o impacto acumulado sobre o PIB alcança R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos.
O segundo cenário considera maior participação do investimento estrangeiro, expansão do processamento dos minerais no Brasil e utilização crescente desses insumos pela indústria nacional. Nessa hipótese, os investimentos crescem R$ 120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e geração estimada de 750 mil empregos, aumentando o PIB em R$ 63,4 bilhões e adicionando mais 446 mil empregos ao primeiro cenário.
Benefícios alcançam estados produtores e centros industriais
O estudo mostra que os maiores impactos sobre o PIB ocorrem nos estados mineradores, com destaque para Pará (16%), Bahia (10,3%), Goiás (10%), Piauí (4%) e Minas Gerais (3,8%). Ao mesmo tempo, o fortalecimento do processamento doméstico amplia os benefícios para estados com maior presença industrial. Neste caso, os maiores ganhos adicionais são observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, evidenciando que a agregação de valor amplia os efeitos econômicos para além das regiões produtoras.
Na análise setorial, a indústria de transformação apresenta crescimento acumulado de 1,8% no segundo cenário, quase três vezes superior ao observado no primeiro. Também se destacam a construção civil (4,5%) e a indústria extrativa (4,2%). Entre os segmentos industriais, os maiores impactos são registrados em máquinas e equipamentos elétricos (16,7%), máquinas para extração mineral (9,8%), automóveis (5,5%) e máquinas e equipamentos mecânicos (2,9%).
“A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Metodologia do estudo sobre impacto dos minerais críticos no PIB
O estudo utiliza projeções já feitas em outros trabalhos globais e internos no Brasil para estimar a demanda por esses minerais e elementos de terras raras e de uma carteira de projetos de investimentos previstos. A pesquisa foi elaborada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor, e foram considerados os minerais cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras.
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