Ecossistema Sienge lança Radar da Construção Imobiliária

Radar da Construção, elaborado pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo OLX aponta que o custo do erro aumenta e torna decisivas as escolhas sobre localização, produto e momento dos lançamentos

Por Rodrigo Conceição Santos

em 2 de Julho de 2026

A primeira edição do Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, elaborada pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo OLX, com participação da Nomad, acaba de ser lançada durante o Construsummit 2026, realizado nesta semana em Florianópolis com cobertura do InfraROI. O relatório reúne indicadores do mercado imobiliário brasileiro e projeta um cenário de crescimento moderado, condicionado à maior seletividade nas decisões de investimento, especialmente nas escolhas relacionadas à praça, produto e ticket médio.

A publicação deve ter atualização semestral e reúne dados sobre custos da construção, preços de lançamentos, demanda regional, comportamento dos consumidores e variáveis macroeconômicas. 

Entre as bases utilizadas estão o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-FGV), o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC-Sienge), o Índice de Demanda Imobiliária (IDI-Sienge), o Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI-Grupo OLX) e dados do Anuário DataZAP. A proposta é oferecer uma leitura integrada do setor, combinando informações sobre custos, preços, demanda e financiamento.

“O Radar nasce da combinação de diferentes fontes de dados e indicadores do setor, permitindo uma leitura mais integrada, clara e segura do mercado imobiliário e da construção”, diz Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge. Segundo ela, o diferencial competitivo está na capacidade das empresas transformarem informações em decisões com maior previsibilidade e precisão.

Mercado mais seletivo exige maior precisão

O estudo indica que o desempenho do mercado imobiliário no primeiro semestre não configura um ciclo amplo de expansão, mas sim um período de maior rigor nas decisões de investimento. Nesse contexto, o custo do erro aumenta e torna mais relevantes as definições sobre localização, perfil do produto, faixa de preço e cronograma de lançamento.

A análise mostra que incorporadoras dependem cada vez mais da integração entre indicadores macroeconômicos, custos, preços e sinais efetivos de demanda para reduzir incertezas e elevar a precisão dos projetos. A combinação dessas variáveis passa a orientar estratégias comerciais e operacionais em um mercado mais competitivo.

Juros elevados e cenário externo pedem cautela

O relatório avalia que o ambiente econômico de 2026 permanece marcado por juros elevados, crédito mais restritivo e ciclos de decisão mais longos. A inflação, ainda em níveis relevantes, e o custo do capital continuam influenciando o comportamento da demanda e as condições de financiamento.

No cenário internacional, a leitura é de moderação da atividade econômica e de ajustes graduais nas condições financeiras globais. O ambiente reforça uma postura mais cautelosa para decisões de investimento e expansão.

“Embora tarifas e a guerra no Irã tenham impactado a dinâmica da inflação, os dados econômicos não apontam para um cenário de ruptura. O principal desafio do atual cenário é navegar a incerteza sem reagir de forma precipitada”, diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.

Segundo o relatório, o acesso ao crédito permanece como uma das principais variáveis para o desempenho do setor. Em um ambiente de maior seletividade por parte das instituições financeiras, empresas e consumidores tendem a adotar decisões mais criteriosas, reforçando a necessidade de planejamento baseado em dados integrados e acompanhamento contínuo dos indicadores do mercado.

Dinâmicas regionais 

A leitura regional do estudo é de um mercado imobiliário cada vez mais heterogêneo, com comportamentos distintos entre as principais praças do país. O Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI-Grupo OLX) mostra que o Rio de Janeiro apresenta o maior preço médio de lançamentos entre as regiões monitoradas. Nesse ambiente, consumidores mais seletivos e preços elevados ampliam a necessidade de diferenciação dos produtos para sustentar ticket e velocidade de vendas.

“O ILI reforça que não existe uma única dinâmica para o mercado de lançamentos no Brasil. Cada praça responde de forma diferente a preço, renda, oferta, crédito e comportamento da demanda”, afirma Coriolano Lacerda, gerente sênior de Inteligência de Mercado do Grupo OLX. Segundo ele, a vantagem competitiva está em transformar essa leitura regional em decisões mais precisas sobre praça, produto, ticket e timing de lançamento.

Em Fortaleza, a demanda aquecida por imóveis econômicos e a valorização dos lançamentos favorecem projetos associados a programas habitacionais. Em Florianópolis, renda elevada e oferta restrita sustentam empreendimentos de maior valor agregado e ampliam a necessidade de diferenciação.

Em São Paulo, o mercado apresenta outra dinâmica. A estabilidade dos preços dos lançamentos, mesmo diante da elevada demanda, torna mais relevante a definição de produto, localização, ticket e timing dos projetos.

“A leitura de demanda mostra um mercado altamente heterogêneo, em que as diferenças regionais se intensificam quando observamos também o comportamento por segmento e padrão de imóvel”, diz Gabriela Torres. Segundo ela, renda, crédito e oferta respondem de maneiras distintas em cada praça, exigindo cruzamento dessas variáveis com preços e custos para ampliar a precisão das decisões.

Jornada de compra mais longa

Os dados do Radar mostram um consumidor mais comparativo e disposto a avaliar diferentes alternativas antes da compra. Entre os entrevistados, 91% consideram imóveis usados durante a busca, enquanto 16% também analisam lançamentos na planta ou em construção, percentual mais presente entre os consumidores mais jovens.

O levantamento indica ainda que boa parte da demanda permanece nas etapas iniciais da jornada de decisão. Para as incorporadoras, isso amplia a relevância dos canais digitais, da construção de relacionamento com potenciais compradores e da oferta de informações que auxiliem a comparação entre produtos antes da escolha final.

“O desafio do setor não é apenas acessar dados, mas transformá-los em decisões melhores. Em um ambiente de juros elevados, pressão de custos e consumidor mais criterioso, a vantagem competitiva passa por conectar preço, oferta, demanda e comportamento de busca em um processo mais disciplinado de escolha de praça, produto, ticket e timing. Dados não eliminam a incerteza, mas ajudam a separar ruído de tendência e a reduzir o custo do erro”, conclui Coriolano Lacerda.

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