Vendas do cimento crescem em abril de 2026

Alta de 2,2% ainda é vista com cautela pelo setor de cimento devido a problemas internos e externos

Por Redação

em 8 de Maio de 2026

As vendas de cimento em abril de 2026 totalizaram 5,4 milhões de toneladas, registrando uma alta de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor apresentou um crescimento de 1,9% frente ao ano passado. O volume de vendas de cimento por dia útil registrou 243,4 mil toneladas, uma alta de 0,9% em comparação ao mês de março e de 2,2% ante o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano (jan-abril), o indicador subiu 1,9%.

O panorama econômico que sustenta a demanda segue influenciado pelo mercado de trabalho aquecido. A taxa de desemprego no primeiro trimestre fechou em 6,1%, o menor patamar para o período desde 2012, mantendo a massa salarial em seu maior nível histórico.

Mas o SNIC mantém cenário de cautela porque, apesar dos resultados positivos nas vendas de cimento até agora, a atividade já sente os efeitos do conflito no Oriente Médio. O sindicato lembra que o setor teve forte impacto com o reajuste no coque de petróleo, componente majoritariamente importado, que responde por cerca de 40% do custo de produção. Outros custos da cadeia do insumo também foram afetados pela guerra.

MCMV tem forte impacto sobre o cimento em abril de 2026

O mercado imobiliário também atua como um importante indutor de crescimento para o setor. As vendas e lançamentos continuam em alta, impulsionados principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que já responde por 52% dos lançamentos imobiliários. No acumulado até março de 2026, o número de unidades financiadas saltou 149%, corrigindo o forte recuo do ano passado.

Segundo o SNIC, os ajustes no MCMV ampliaram o acesso da classe média a imóveis maiores e melhor localizados, elevando o teto de renda e o valor das unidades. Todo esse movimento é sustentado por um novo aporte, anunciado em abril, de R$ 20 bilhões provenientes do Pré-sal, o que permitiu ao governo elevar a meta de contratação para 3 milhões de moradias até o final de 2026.

Em paralelo, as recentes atualizações em programas habitacionais alteraram as perspectivas de crédito para o setor. O limite para o programa de reforma de moradias passou de R$ 30 mil para R$ 50 mil, com taxa de juros unificada em 0,99% ao mês e público ampliado com renda familiar de até R$ 13 mil.

Pesquisas indicam cautela

Apesar de boas perspectivas na habitação, o ambiente macroeconômico inspira cautela, como mostram pesquisas de confiança feitas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A confiança da construção recuou em abril assim como a da indústria, que caiu pela primeira vez nos últimos cinco meses, refletindo um ambiente menos aquecido e estoques levemente acima do normal.

O que pesam nessa sensação de pessimismo são a dificuldade para atração de mão de obra e os impactos da guerra no Oriente Médio. A instabilidade internacional elevou as expectativas de inflação para 2026, impactando diretamente as projeções para a taxa Selic. O mercado previa o fechamento do ano em 12%, mas agora projeta 13%, reflexo direto da pressão do preço do petróleo, do frete nos custos de produção e da volatilidade cambial.

Há também entraves significativos ao consumo e ao crédito. O endividamento atingiu nível recorde, comprometendo 49,9% da renda da população, e a inadimplência afeta 82,8 milhões de brasileiros. O avanço acelerado das apostas on-line (bets) subtraiu R$ 143,8 bilhões do comércio nos últimos dois anos e tem levado milhares de famílias à inadimplência, consumindo parte dos recursos antes voltados para a construção.

Na outra ponta, o cenário de pleno emprego, somado à isenção do imposto de renda, fez com que a confiança do consumidor subisse pela segunda vez consecutiva neste ano, com destaque para a melhora na percepção da situação financeira entre as famílias de renda mais baixa.

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