Uso do BIM impactará mais as empresas que atuam em todas as etapas de projeto

Redação – 27.01.2021 –

Avaliação é da Engemon, que destaca a obrigatoriedade da plataforma no setor público a partir desse ano

O uso de plataformas de Modelagem da Informação da Construção (BIM, na sigla em inglês) pelo setor público passa a ser obrigatório nesse ano em obras públicas. Os impactos da tecnologia têm sido mapeados e indicam que é possível reduzir os custos totais da obras numa média de 9,7%. Já a diminuição dos custos de insumos pode chegar a 20% com a racionalização conseguida pelo BIM. Os resultados são mais impactantes para as empresas que usam a tecnologia em todas as etapas de projetos. Essa é a avaliação de Sonia Keiko, vice-presidente de Novos Negócios e Inovação da Engemon.

“É um diferencial competitivo, pois permite utilizar o BIM para gerar eficiência e assertividade em todas as fases do projeto. Isso naturalmente irá gerar diferentes índices de economia em cada uma das etapas, ampliando a competitividade das empresas que contemplam o uso desta tecnologia aumentando a sua entrega de valor aos clientes”, explica a executiva. De acordo com ela, a empresa adota o BIM em suas maiores obras.

Sônia destaca que o BIM permite antecipar conflitos que naturalmente ocorrem em projetos de ampla execução. Ao adotar modelos em 3D ou 4D para antecipar as estruturas da obra em diversas frentes (elétrica, hidráulica, segurança, entre outras), a tecnologia pode reduzir a quantidade de insumos necessários nas obras, bem como possíveis problemas decorrentes da concorrência por espaços nas estruturas. Quanto antes forem diagnosticados, mais eficientes e assertivas serão as respostas dadas pelas empresas que atuam nas obras.

“Na Engenharia falamos de espaços confinados e é comum que haja conflitos entre as frentes de trabalho. O BIM é capaz de gerar uma quantidade relevante de dados em um momento no qual os ajustes ainda não trarão um sensível prejuízo para serem contornados”, complementa Guilherme Valente, gerente da GV BIM, empresa especializada na tecnologia e parceira de negócios da Engemon. Ele ressalta que isso faz muita diferença não só nos custos das obras, mas também no cumprimento dos cronogramas dos projetos.

“O BIM gera a informação de todos os elementos de uma obra. Com isso, posso conectar a tecnologia a um serviço de análise de negócios, por exemplo, para monitorar o projeto em tempo real em todas as suas frentes”, explica Valente. “Posso também associar os processos de compras com o BIM, permitindo que eu tenha um controle muito mais efetivo do que é utilizado no dia a dia do projeto. Isso já seria essencial no mercado privado, mas, se adotado no setor público, é capaz de amplificar o atendimento a pilares como transparência, eficiência e publicidade”, completa.

O que muda para as empresas?

O Decreto nº 10.036 determina a utilização do BIM na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia que são realizados por órgãos e pelas entidades da administração pública federal. O projeto é dividido em três fases:

1ª fase: focada em projetos de arquitetura e de engenharia para construção novas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas de grande relevância para a disseminação do BIM. A proposta é utilizar a tecnologia nas disciplinas de estrutura, hidráulica, AVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) e elétrica, na detecção de interferências e na revisão dos modelos de arquitetura e de engenharia, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica, a partir desses modelos.

2ª fase: a partir de janeiro de 2024, prevê a inclusão do BIM na execução direta ou indireta de projetos de arquitetura e de engenharia e também em obras, referentes a construções novas, reformas, ampliações reabilitações. Esta fase também considera as disciplinas de orçamentação e planejamento da execução de obras, bem como de atualização do modelo e de suas informações como construído.

3º fase: a partir de janeiro de 2028, prevê a aplicação do BIM em todas as disciplinas previstas nas fases anteriores e também nos serviços de gerenciamento e de manutenção do empreendimento após sua construção, em projetos que tenham sido realizados ou executados anteriormente com aplicação da tecnologia.