A rede, mais do que nunca, é importante em telecom

Nelson Valêncio – 11.11.2019 – Quando eu comecei a cobrir o mercado de telecomunicações, no final dos anos 1990, o grande frisson era a infraestrutura. No caso das operadoras fixas – ainda havia essa divisão – já se falava na instalação maciça de redes ópticas. Os canais de Veneza foram um dos exemplos da necessidade gritante de estradas digitais. Fiz várias matérias sobre os desafios da implantação de rede, inclusive os roteiros para testes, as pesquisas sobre a qualidade dos cabos ópticos e por ai vai. O processo se repetia para a infraestrutura das operadoras sem fio. Quem é do setor deve se lembrar da guerra de padrão entre GSM e CDMA, uma conversa super datada hoje em dia.

Naquela época, o executivo mais importante de qualquer operadora era o diretor de redes. A tomada de mercado dependia da cobertura e a disputa era tanta que ninguém levantava a ideia de compartilhamento de torres para instalação de estações rádio base. O resultado da disputa pode ser visto atualmente quando passamos em alguns lugares e vemos duas torres de operadoras diferentes praticamente ao lado da outra. O compartilhamento, que parecia uma crise, por outro lado, tornou-se estratégico não só para a infraestrutura de telefonia móvel como para a rede de fibra óptica. O exemplo da Junto Telecom, dona de uma malha aérea e enterrada no Norte e no Centro-Oeste (veja matéria no site) é apenas uma das iniciativas de troca de infraestrutura, de cooperação estratégica.

O fato é que a rede não perdeu espaço, não deixou de ser importante. Pelo contrário. A conversa com o presidente da Ciena, Fernando Capella, na edição desse ano da Futurecom, confirma a assertiva. Há alguns anos, a empresa americana era conhecida como uma fabricante importante de equipamentos de alta capacidade para rede óptica. Hoje, essa caixinha não serve mais e, depois de várias aquisições e mudanças, a Ciena reforça a visão de que as redes continuam físicas e vitais, mais a digitalização as torna cada vez mais inteligentes. O monitoramento granular da infraestrutura – e já mostramos isso aqui no site com o caso da Accedian – vai além das condições de funcionamento da malha.

Redes continuam físicas, mas devem ficar mais inteligentes 

Para a Ciena, “a automação de rede baseada em software inteligente é megatendência em infraestrutura que conecta todas as tecnologias importantes como o 5G, IoT e nuvem”. A companhia acredita que os “provedores de serviços precisam passar por uma transformação digital que lhes permita diminuir, se não acabar, com negócios legados e processos manuais e custosos que impedem a inovação”. Bacana, o postulado. E como fazer isso, quando as operadoras têm vários legados e visões fragmentadas da rede e trabalham ou trabalhavam com um conceito estático de infraestrutura?

Na avaliação de Hector Silva, diretor de tecnologia da Ciena para a América Latina, a resposta são as redes adaptativas que, como o nome diz, respondem rapidamente às constantes mudanças dos novos usuários das operadoras. Um dos caminhos para ter tais redes é a automação inteligente do inventário, o que ofereceria uma visão unificada de redes e serviços. Dados da fabricante americana, indicam que a sua solução reduziria em 40% as falhas na rede, antecipando os problemas, e em caso da falha acontecer, sua resolução seria acelerada em pelo menos 30%.

Os ganhos listados por Silva confirmariam os dados da consultoria Analysis Mason de que as empresas têm apenas 70% de assertividade em seus sistemas de inventário. O desconhecimento cobra um preço alto na forma de muitas falhas, desempenho lento e uso ineficiente das redes, de acordo com a Ciena. A informação reforça que as redes existem, continuarão a existir, são extremamente importantes, mas devem ficar mais inteligentes.

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