Bancos de desenvolvimento lançam projeto para mobilidade urbana sustentável no Brasil

Redação com BID – 30.03.2021 –

Iniciativa reúne KfW, BNDES, BID e Ministério do Desenvolvimento Regional e foca em cidades com mais de 500 mil habitantes

A Cooperação Alemã por meio do KfW Banco de Desenvolvimento (KfW), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) por meio da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano (SMDRU) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com recursos do Global Environment Facility (GEF) lançaram ontem (29/2) uma Chamada de Projetos de Mobilidade Urbana Sustentável.

As instituições vão oferecer apoio técnico a estados e municípios interessados em desenvolver projetos que contribuam para a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a inclusão social. Entre os critérios de avaliação das propostas estão a adequação da tecnologia à realidade local, a integração com os demais modos de transporte no município, a sustentabilidade financeira, o alinhamento aos planos locais, além de aspectos inovadores.

As melhores propostas terão seus estudos de pré-viabilidade financiados com recursos não reembolsáveis do governo alemão por meio do KfW e do GEF, por meio do BID. A Chamada estará aberta até 31 de maio de 2021 para municípios acima de 500.000 habitantes, estados e suas capitais e o DF.

Durante o evento de lançamento, que contou com a participação de mais de 150 representantes de 31 Municípios e 10 Estados, foram apresentados os detalhes da Chamada e do processo de submissão de projetos.

O Diretor da Agência KfW Brasil, Martin Schröder, destacou “o papel fundamental de iniciativas de sustentabilidade no setor de transportes para a proteção ambiental e do clima” e explicou que a mobilidade urbana coletiva também é um vetor para a inclusão social e que “muitas pessoas só tem acesso a emprego, educação, serviços de saúde e cultura através dos sistemas de transporte público.”

O Superintendente da Área de Saneamento, Transporte e Logística do BNDES, Leonardo Pereira, permitiu-se confidenciar que, “para os funcionários do BNDES, o KfW representa um exemplo de banco de desenvolvimento”. Leonardo destacou a “importância da iniciativa para gerar um pipeline de projetos de mobilidade, especialmente considerando a agenda ASG do Banco” e “que a iniciativa deveria ser replicada para outros setores que, a exemplo da mobilidade, tenham o potencial transformacional”.

O Secretário Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional, Tiago Queiroz, reforçou que é uma grande satisfação compartilhar com todos a inciativa desta cooperação para estruturação de projetos para mobilidade urbana no Brasil. “O estímulo a novos e bons projetos é crucial para promover a sustentabilidade ambiental, e o desenvolvimento social e tecnológico”, disse.

Já o representante do BID no Brasil, Morgan Doyle, reforçou que “para além dos benefícios econômicos, sociais e sanitários, aperfeiçoar a prestação de serviços de transportes no Brasil por meio da sustentabilidade trará benefícios ambientais e climáticos que são urgentes para a recuperação pós-pandemia”.

No Brasil, os automóveis são responsáveis por 65% do volume total de gases de efeito estufa (GEE) emitido pelo transporte urbano de passageiros. O dado demonstra a urgência de uma mudança do uso de meios de transporte individuais para modos coletivos. Além de contribuir para o combate global aos impactos da mudança climática, a melhoria dos sistemas de transporte público também traz benefícios para a saúde e bem-estar da população, a partir da redução de emissões de poluentes locais, que hoje surgem em concentrações acima dos níveis recomendados, nos grandes centros urbanos.

O acesso a um sistema de transporte seguro, eficiente e viável, também é primordial para a redução da desigualdade, pois possibilita o acesso ao emprego e à educação.

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