“Mais de 70% do concreto distribuído no país passa por sistema Command Alkon”, revela executivo

Rodrigo Conceição Santos (Da Concrete Show 2019) – 15.08.2019 – 

Norte-americana traz novos softwares de gerenciamento de produção e monitoramento remoto da betoneira, elevando a digitalização  da concretagem.

Tecnologia mobile permite ao cliente acompanhar status da entrega do concreto em tempo real.

Quando a norte-americana Command Alkon comprou a desenvolvedora de sistemas brasileira KP, em 2011, a intenção era garantir a entrada no mercado brasileiro de concreto que, desde então (e talvez sempre) é promissor. Ocorre que a KP tinha duas tecnologias já utilizadas por concreteiras no país: o Bentomix e o Betontec. O desfecho é que não só esses continuaram sendo o carro-chefe no nosso mercado, como foram desenvolvidos para aplicações em outros países. “Mais tarde recebemos tecnologias norte-americanas para aplicação no mercado Brasileiro também. Ela são mais avançadas e começam hoje a ser aplicadas”, diz Rafael Diaz, diretor de operações da Command Alkon no Brasil. Como norte-americanos, ele se refere aos sistemas Commandseries e Mobilejobsite. Falaremos deles a seguir.

No histórico brasileiro da Command Alkon, o Betontec, avançou a tal ponto que Diaz garante que mais de 70% do concreto distribuído no Brasil passa por ele atualmente. “Com as aplicações, garantimos estatisticamente que os clientes economizam, em média, R$ 40 mil a cada 50 mil m³ de concreto produzido”, diz.

O argumento ajuda a vender o sistema, que nada mais é do que um software especialista em desenhar traços de concreto. Ele aceita infinitas combinações e permite que o engenheiro – que antes calculava esse processo à mão – foque na gestão da concreteira ou em outras tarefas mais avançadas. A economia prometida ocorre porque o sistema visa reduzir a quantidade de material caro na mistura (principalmente cimento) para que se alcance o traço desejado de modo mais econômico.

A outra tecnologia da KP mantida pela multinacional foi o Betonmix. É um software de gestão, que não pode ser chamado de ERP por não agregar parâmetros financeiros, mas que permite ao gestor controlar o processo comercial com a obra, contratos e propostas em andamento, além de inputs logísticos. Além disso, emite mais de 40 relatórios com indicadores do negócio. “Em clientes que não têm solução do tipo instalada, prometemos 100% de retorno sobre o investimento no primeiro ano de uso do Betonmix”, diz Diaz.

Concretagem Hich Tech
O interesse da Command Alkon no mercado brasileiro veio do atendimento às operações da Votorantim Cimentos nos EUA. Lá, o grupo brasileiro tem cerca de 2 mil funcionários atualmente e mais de mil autobetoneiras circulando. Ele usa sistemas da Command Alkon para gerenciar a frota, a qualidade da entrega e do concreto produzido.

“Fomos às nossas operações norte-americanas, onde temos mais de mil autobetoneiras circulando, e começamos a avaliar os KPIs bastante produtivos de lá”, disse Ricardo Soares, gerente geral de concreto da Engemix em reportagem do InfraROI de janeiro deste ano (leia na íntegra). Grande parte da imersão ocorreu em Chicago, onde 400 autobetoneiras são monitoradas. “Entendemos o processo logístico e trouxemos para cá, com um sistema de gerenciamento empresarial (ERP) específico para concretagem e um módulo de logística que acopla informações de GPS”.

Sim, chegou a hora do Commandseries e do Mobilejobsite, sistemas citados no primeiro parágrafo desta matéria e que foram aplicados pela operação da Engemix (concreteira do Grupo Votorantim no Brasil). O Mobilejobsite é mais voltado ao cliente final, que pode acompanhar a logística e despacho do concreto em tempo real.

Na Engemix, a demanda era melhorar o processo manual, baseado em uma lista de pedidos pela qual os profissionais das centrais de concreto calculavam quantidade, horário de início e intervalo de despacho das autobetoneiras. “Ocorria que perdíamos qualquer controle desse intervalo, que é o tempo entre a partida do caminhão da central até a sua chegada e descarregamento na obra. Essa lacuna foi responsável por muitos casos de interrupção nas concretagens. Isso, inclusive, gerou uma imagem ruim do setor de concreto profissional perante os clientes”, diz Sores. Com a implantação da nova tecnologia, ele diz ter total visibilidade das autobetoneiras durante o ciclo operacional.

O sistema agora mostra a hora do carregamento, o tempo médio para chegar ao cliente e o tempo de descarregamento para a bomba de concreto. Com isso, criou-se um ciclo inteligente, que permite definir o horário de partida exato da primeira autobetoneira e os intervalos corretos para que a segunda e as seguintes cheguem antes que a anterior conclua o descarregamento. “E isso sem criar fila de autobetoneiras na obra, o que também é indesejável por questões de trânsito, perda de qualidade da mistura e perda de produção para a central”, explica.

A tecnologia integra todas as centrais de concreto da Engemix nas regiões metropolitanas, de modo que, dependendo da demanda, é possível que autobetoneiras oriundas de centrais diferentes atendam a mesma obra. “O sistema nos permite medir o fluxo de entrega cliente a cliente, de modo que fazemos o percentual de pontualidade de cada concretagem do dia, semana ou mês”, detalha o executivo.

As informações são disponibilizadas num aplicativo, que pode ser acessado por celular, tablet ou computador. Como o sistema também integra as centrais de concreto, a decisão por qual cliente precisa de qual betoneira mais próxima também é automática, ficando o operador da central apenas com a demanda de conferir as dosagens da balança.

O próximo passo, segundo Soares, é digitalizar o monitoramento sobre qualidade da mistura. Hoje há um programa da Engemix no qual uma equipe especializada percorre pelas centrais auditando os processos de produção. “É um programa de alerta pelo qual conseguimos indicativos de problemas gerados na obra por conta de concreto de baixa resistência. O histórico atual é de um caso a cada 10 mil, o que demonstra a confiabilidade”, conclui.

 

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