Mini Shield viabiliza obras de adutora do Sistema Genêsis, da Sabesp

Rodrigo Conceição Santos – 11.03.2019 –

Imagem da Sabesp

Um mini shield com cabeça de corte adequada para escavar terreno rochoso realizou a perfuração de 116 metros sob o Rio Tietê, em Barueri, na Grande São Paulo. O processo viabilizou o percurso das tubulações de água que abastecerão o sistema Gênesis, da Sabesp. O equipamento, pertencente à executora da obra, a construtora Passarelli, é o primeiro do tipo no Brasil e deve seguir depois para um projeto ainda em negociação no Rio de Janeiro.

De acordo com Vlamir Petrelli, superintendente da Passarelli, a utilização de mini shield para travessia em terreno rochoso é uma novidade no Brasil. O equipamento contém câmara hiperbárica para garantir segurança nos processos de manutenção mecânica. A operação é toda monitorada por sinal de telefonia celular, de modo que a cabine de operação fica na superfície. “Caso necessário, técnicos da fabricante, na Alemanha, podem ter acesso à operação e até mesmo identificar, em tempo real, possíveis problemas técnicos e repará-los à distância”, explica.

Com diâmetro de 1500 mm, o mini shield abre espaço para o assentamento das tubulações de aço carbono de 900 mm. A diferença entre a largura do túnel e das tubulações é para viabilidade operacional, como a soldagem dos tubos e fechamento das paredes do túnel em solo cimento, por exemplo.

O emboque do equipamento ocorreu por poço de 25,6 metros de profundidade e diâmetro de 8,5 metros. As paredes do poço foram contidas com concreto armado e esta reportagem pôde acompanhar a dificuldade do mini shild em vencer as armações de aço no final do percurso. O poço de desemboque – justamente onde o shield terminou o percurso com sucesso – tem 23,6 metros de profundidade e diâmetro de 6,80 m.

A travessia dos 116 metros – do poço de emboque, de um lado do Rio Tietê, até o desemboque, do outro lado – ocorreu em 30 dias e venceu solo composto por vários tipos de formações rochosas, incluindo alguns com maior grau de dureza com fragmentos de quartzo e basalto, por exemplo. “Esse equipamento reforça a imagem da Passarelli como especialista em obras subterrâneas de alta complexidade e a maior frota de shields do Brasil. Temos 14 equipamentos do tipo na frota hoje, com diâmetros de 300 mm a 2 metros”, diz Paulo Bittar, diretor presidente da empresa.

O Projeto
A tubulação sob o Rio Tietê será acoplada aos demais 7,7 km de rede de água com a mesma característica, de 900 mm. Há ainda outros 4,5 km de redes de menor diâmetro (400 mm), que ramificarão o abastecimento de água do Sistema São Lourenço para 350 mil pessoas em Barueri, Pirapora do Bom Jesus, Itapevi e Aldeia da Serra.

A grande maioria dos tubos está sendo assentada em valas a céu aberto, com profundidades entre 2,5 e 6 metros (média de 3 metros). As valas são abertas com escavadeiras e têm 2 metros de largura.

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