Telecomunicações na Arena Corinthians receberam tecnologia diferenciada para cabeamento

Por Rodrigo Conceição Santos – 28 de abril de 2014

 

 

Instalação do subduto flexível foi realizada em poucas horas e otimizou a passagem dos cabos de fibra ótica

Instalação do subduto flexível foi realizada em poucas horas e otimizou a passagem dos cabos de fibra ótica

As arenas no padrão FIFA devem ter assentos numerados e cobertos, estacionamento amplo, sistema de energia redundante, condições de acessibilidade, uma série de outras exigências e, principalmente, comunicação eficiente. Tudo isso é detalhado no manual “Estádios de Futebol – Recomendações e Requisitos técnicos”, da FIFA, e na parte de comunicação o requisito básico é a existência de rede IP com alta capacidade de tráfego para broadcast (vídeo e rádio), rede Wi-Fi, telefonia móvel indoor e outras demandas.

A FIFA também zela pela segurança dessa infraestrutura, e determina que os cabos de fibra óptica liguem os estádios por dois caminhos diferentes. No caso da Arena Corinthians, um dos acessos é feito por terra, e não apresentou grandes dificuldades para instalação dos cabos de fibra ótica. Mas do outro lado a situação é diferente, pois os cabos passam pelos viadutos que darão acesso viário ao estádio.

Em fase final de construção, os viadutos têm duas faixas de rodagem, chegam a quase 1 km de extensão em alguns pontos e usam new jerseys como sistema de proteção nas laterais. Nessas proteções é que passam as tubulações para cabeamento elétrico – usadas para as lâmpadas – e de telecomunicações, por onde devem passar os cabos que ligam o estádio aos backbones da região. A tubulação para telecom tem entre 110 e 150 mm de diâmetro e seria suficiente para passar até quadro subdutos rígidos de 32 mm cada. “O problema é que o tipo de construção das new jerseys não permitiu a passagem de subdutos tradicionais, feitos em PEAD ou PVC, por alguns trechos, pois a tubulação principal foi instalada com muitos pontos de curvatura, ziguezagueando pela armação de ferro”, explica Carlos Frederico Valle Noyma, diretor da Integer Engenharia e Consultoria, empresa contratada pelas operadoras que atenderão ao estádio para realizar as obras de infraestrutura de telecom.

Diante desse cenário, a Integer usou da expertise em obras de telecomunicações para recorrer aos subdutos flexíveis. A tecnologia comercializada no Brasil pela Redex Telecom, e fabricada nos EUA pela Maxcell, tem força de empuxe de até 600 kg, o que se mostrou mais do que o suficiente para a situação de obra na Arena Corinthians. “A malha em que é confeccionado o subduto flexível reduz o atrito entre o cabo e um duto de PEAD em mais de 50% e por isso ele pode vencer curvaturas críticas dentro de uma canalização de redes”, explica Alessandro Mazzafiori, diretor comercial, da Redex.

Ao todo, nove operadoras de telecomunicações têm licença para atender ao estádio e boa parte delas está passando seus cabeamentos por subdutos flexíveis. “No total, foram instalados mais de 6 km de canalizações, permitindo a passagem de cabos ópticos em uma rede totalmente critica”, detalha Felipe Soares, diretor administrativo da Redex.

Para Frederico Noyma, da Integer, o subduto flexível foi decisivo dado o curto prazo de operação destinado a esse serviço e às mínimas chances de erro possíveis nesse período. “Tecnicamente, as operadoras de telecomunicações poderiam passar os cabos direto na tubulação principal. Mas isso certamente causaria um problema a partir do terceiro ou quarto cabo passado, pois eles se ‘trançariam’ dentro da tubulação, impedindo a passagem dos demais. Por isso, instalar os cabos dentro dos subdutos flexíveis foi a melhor decisão tomada para executar o processo com a qualidade e a agilidade que precisávamos”, relata o executivo.

A Instalação

A Integer foi contratada por um grupo formado por várias operadoras de telecomunicações que atenderão à Arena Corinthians, levando rede de fibra ótica até o estádio. Formada por profissionais experientes em obras de telecomunicações, a empresa tem histórico de utilização de subdutos rígidos e flexíveis e mostrou essa expertise quando decidiu pela utilização do material fornecido pela Redex Telecom para passar cada quilômetro do material em menos de um dia de operação. “Transportamos o subduto flexível em bobina e a posicionamos na obra. No dia certo, conforme condições climáticas e planejamento, fizemos a instalação em poucas horas”, diz Dimas Valério, Consultor Técnico da Redex.

A bobina contendo os subdutos flexíveis foi posicionada na cabeceira do viaduto principal, onde há a caixa de passagem da tubulação. O subduto foi então amarrado em um fio guia, e puxado, manualmente, por cerca de trezentos metros de cada vez. “Antes disso, aferimos o fio-guia, fazendo ajustes nos pontos necessários”, conclui Dimas Valério.

Ficha Técnica

O subduto flexível para redes subterrâneas é indicado como solução para resolver grande parte do gargalo das empresas de telecomunicações e outras utilities na hora de ampliar ou instalar redes. Fabricado utilizando-se um tecido de polímero de engenharia, o subduto permite quadruplicar a ocupação de cabos dentro de um mesmo duto, substituindo com grande vantagem os subdutos rígidos.

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