Produção de areia industrial da Ciplan aumenta com nova planta

Com novo britador HRC da Metso, produção da areia industrial da Ciplan aumentou em 60 toneladas por hora

Por Da Canaris

em 10 de Julho de 2025

Referência tradicional na produção de cimento e concreto no Distrito Federal, a Ciplan dá mais um passo estratégico ao investir em uma planta de produção de areia industrial fornecida pela Metso. A nova planta foi integrada ao seu complexo de agregados, onde já operava com mistura de areias industriais — matéria-prima essencial na composição de concretos e argamassas para o mercado da construção civil.

O desafio era claro: ampliar a capacidade produtiva de areia para atender a crescente demanda do setor de argamassas, com a missão paralela de reduzir o consumo de energia e elevar a eficiência do processo industrial. Isso exigia não apenas um aumento na diversidade do mix de areia, mas também uma redução nas perdas de material pulverulento — um ajuste técnico que, se bem-sucedido, traria ganhos operacionais expressivos.

Foi com esse objetivo que a Ciplan apostou na tecnologia HPGR (High Pressure Grinding Rolls) do britador HRC da Metso. Inicialmente projetada para atingir capacidade máxima em cinco anos, a planta surpreendeu ao superar as expectativas logo nos primeiros meses de operação, alcançando uma ociosidade inferior a 20%. Com o novo sistema, a produção de areia subiu cerca de 60 toneladas por hora, desbloqueando o gargalo que antes limitava o crescimento da produção de argamassas.

Mas os ganhos não pararam aí.

Eficiência energética

O principal destaque foi a expressiva redução no consumo energético: enquanto um britador VSI convencional demanda cerca de 900 HP para entregar 60 toneladas por hora, o HRC da Metso realiza praticamente a mesma produção com apenas 300 HP. O resultado? Um custo de energia por tonelada consideravelmente menor e mais sustentabilidade ao processo.

“A eficiência energética do HRC foi o principal motivador para escolhermos o equipamento. Ele veio como uma solução para ampliarmos a capacidade de produção de areia, sem aumentar o consumo de energia”, comenta Frederico Reis, Gerente Geral de Operações da Ciplan. Ele exemplifica dizendo que atualmente tem um consumo de 11 kWh por tonelada com os VSIs, enquanto o HRC tem 3,8 kWh por tonelada, sendo esse o principal ganho da planta.

Além disso, o material superfino (filler) gerado como subproduto da produção de areia passou a ser reutilizado na própria fabricação de cimento, servindo como aditivo e melhorando o desempenho dos moinhos — um ganho indireto que otimizou ainda mais o consumo de energia na planta. Vale destacar que o HRC gera, em média, apenas 8% de material pulverulento, contra os 20% registrados por sistemas anteriores, como britadores VSI ou moinhos de martelo.

Menos intervenções de manutenção

Outro benefício notável foi a drástica redução nos custos e no tempo de manutenção. Enquanto britadores VSI exigem trocas de martelos a cada 10 dias, o HRC, que opera sem essas peças, requer apenas manutenções preventivas nos rolos, com substituições de revestimento que chegam a durar até um ano. Menos intervenção, menor parada e muito mais eficiência.

Para Evair Nunes, coordenador da planta de produção de agregados da Ciplan, a instalação do HRC além da eficiência energética, permitiu a substituição de três moinhos de martelo, VSIs, que tinham alta demanda de manutenção. “Esses moinhos de martelo tinham altos índices de desgaste dos fundidos e um consumo de energia muito elevado”, Evair também comenta sobre a facilidade de manutenção do britador de rolos. “O HRC é uma máquina que requer pouca intervenção para manutenção, uma vez calibrado e ajustado o gap entre os rolos, essas intervenções são menores quando comparadas a equipamentos similares”, finaliza.

Areia da Ciplan com maior qualidade

Do ponto de vista visual, a areia produzida pelo HRC também apresenta melhor acabamento na fração mais grossa — um diferencial técnico que demonstra a superioridade da tecnologia empregada.

Alfredo Reggio, líder de vendas da Metso, responsável pelo atendimento da Ciplan, comenta que o estudo colaborativo entre as duas empresas para o desenvolvimento de uma areia mais fina permitiu um material final de melhor qualidade para atender o mercado de concreto e argamassa.

A instalação da planta também se destacou pelo layout inteligente e otimizado. Graças ao uso das peneiras de alta frequência da Metso e ao formato vertical, a estrutura se encaixou perfeitamente no espaço físico já existente da fábrica, ocupando área muito menor do que os antigos sistemas horizontais e oferecendo ainda uma operação mais compacta e eficiente.

Peneiras de Alta Frequência

A escolha das peneiras também se mostrou acertada do ponto de vista econômico: além do bom custo-benefício, entregam classificação precisa com baixo nível de bypass, mesmo quando visualmente aparentam obstrução.

“As peneiras de alta frequência fazem uma boa parceria com o HRC, oferecendo alto desempenho e baixo custo operacional. Mesmo não sendo convencional no mercado de agregados, a tecnologia deste modelo de peneira é diferenciada e apresenta excelentes resultados”, afirma Evair Nunes.

Para a Ciplan, a adoção da tecnologia HPGR do HRC trouxe impactos extremamente positivos, principalmente nas frentes de consumo energético e manutenção. Apesar dos desafios típicos do início de operação e da curva de aprendizado técnico conjunta com a Metso, o projeto superou expectativas e consolidou-se como um passo certeiro rumo a uma operação mais moderna, eficiente e competitiva.

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