A UCB Power, fornecedora de soluções de armazenamento de energia, fez a primeira instalação de baterias de sódio em uma usina de energia no Brasil. A iniciativa ocorreu dentro de uma usina no coração do Amazonas, na comunidade de Tumbira, que fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, e cumpre o objetivo de levar soluções tecnológicas e sustentáveis para suportar desafios de eletrificar regiões remotas.
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As baterias são energizadas a partir de um sistema fotovoltaico. Devido à nova estrutura, 43 famílias receberão novos serviços de educação e saúde por meio do Núcleo de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (Nieds) Agnello Bittencourt. Essa iniciativa é fruto de uma parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) que desenvolve iniciativas de educação na região há 17 anos.
A usina foi recentemente inaugurada e conta com:
- 20 módulos fotovoltaicos de 375 Wp
- Potência total instalada: 7,50 kWp
- 16 baterias de sódio (48V / 50Ah)
- Capacidade total de armazenamento em sódio: 38,40 kWh
Para a UCB Power, o projeto é uma forma de levar energia para comunidades remotas e garantir que elas tenham acesso a educação, alimentação, saúde e desenvolvimento. “Este projeto, fruto da parceria entre a FAS e a UCB Power, é um exemplo de como soluções inovadoras e sustentáveis podem transformar realidades, promovendo dignidade e autonomia para as populações tradicionais da Amazônia”, aponta Valcléia Lima, superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidade da FAS.
Os desafios de armazenar energia em baterias de sódio
As baterias de sódio chamam atenção porque podem ser mais baratas e menos dependentes de matérias-primas críticas que as de lítio. Por usar o sódio (extraído de sal comum ou depósitos minerais), esse tipo de bateria reduz custos e aumenta a segurança da cadeia de suprimentos, especialmente para armazenamento estacionário em redes elétricas, onde o peso e a densidade de energia não são tão críticos quanto em veículos elétricos. Além disso, o sódio é menos inflamável em algumas composições de bateria, o que ajuda na segurança.
A dificuldade técnica para utilizá-las, porém, vem principalmente de fatores físico-químicos:
- O íon de sódio (Na⁺) é maior que o de lítio (Li⁺), o que dificulta sua inserção e extração repetida nas estruturas cristalinas dos materiais do eletrodo, causando mais desgaste e perda de capacidade com o tempo.
- A densidade energética é menor, porque o sódio é mais pesado e seu potencial eletroquímico é menos negativo que o do lítio, resultando em menos energia armazenada por unidade de massa.
- Encontrar materiais de ânodo e cátodo que combinem alta capacidade, estabilidade e baixo custo ainda é um campo de pesquisa ativo. O grafite, muito usado no lítio, não funciona bem com sódio, exigindo alternativas como carbono duro ou ligas metálicas.
- A eficiência e a vida útil ainda precisam alcançar níveis competitivos para aplicações comerciais exigentes.


