Estanho puxa alta do mercado de metais não ferrosos

Só em janeiro, o preço do estanho subiu 70%, puxado não só pela demanda, como também por problemas na produção e pela especulação

Por Redação

em 9 de Fevereiro de 2026

Desde o início do ano, o estanho registrou a maior alta de preços entre os metais não ferrosos com 70% de crescimento em relação ao ano anterior, alcançando US$ 50 mil por tonelada. A elevada volatilidade dos preços do estanho em tão pouco tempo pode ser explicada por pressões especulativas associadas aos baixos níveis de estoque nas principais bolsas de metais (LME, SHFE), segundo a Coface.

Metal essencial para a indústria eletrônica — somente seu uso para soldagem responde por 50% da demanda global — o estanho tem se beneficiado fortemente das transições energética e digital. No entanto, o crescimento da produção permanece limitado, especialmente na República Democrática do Congo (RDC) e em Mianmar, o que deve levar a um déficit de oferta já em 2026, o primeiro desde 2021.

A expectativa da Coface é de que os preços médios se mantenham em torno de USD 45.000 por tonelada  ao longo do primeiro semestre do ano, o que já seria um aumento de 40% no ano a ano. Isso porque a demanda por tecnologias baseadas em dados deve continuar impulsionando a recente alta dos preços do estanho.

Metais não ferrosos: tendência generalizada de alta

Do cobre ao alumínio e ao níquel, os metais não ferrosos apresentaram forte recuperação nos últimos meses, com aceleração significativa em janeiro. O índice LME acumula alta de 34% em relação ao ano anterior, comparado a apenas 6% em 2025 frente a 2024.

Embora a transição energética sustente essa tendência, ela não explica tudo: a transição digital, intensiva no uso de metais (data centers, semicondutores), combinada a pressões especulativas, tem intensificado o movimento. O estanho é um exemplo emblemático desse fenômeno.

A produção global de estanho refinado deve crescer cerca de 3% em 2026, após expansão de 2% em 2025, ritmo insuficiente para compensar o aumento esperado de 3,5% na demanda em 2026. O mercado deverá entrar em déficit neste ano, estima a Coface, situação que tende a persistir nos próximos anos. No longo prazo, o principal desafio será a expansão da capacidade de mineração, uma vez que o esgotamento de depósitos explorados representa vulnerabilidade relevante para toda a cadeia de valor.

China deve aumentar produção, mas resto do mundo preocupa

A China responde por 50% da produção global de estanho refinado. Apesar de medidas de contenção, estima-se que a produção chinesa permaneça robusta em 2026, crescendo 5%. O estanho continua sendo um ativo estratégico na busca chinesa por autossuficiência em infraestrutura de gestão de dados. Em contrapartida, a produção na Indonésia pode recuar devido a restrições regulatórias e crescente resistência a projetos de mineração, com expectativa de queda de 2% em 2026, após já ter tido uma queda de 1% no ano anterior.

A principal vulnerabilidade está no fornecimento de minério de estanho, especialmente proveniente da República Democrática do Congo e de Mianmar, que juntos respondem por 20% da produção global e 60% das importações chinesas do minério. Na RDC, confrontos frequentes entre forças rebeldes M23 e o exército congolês impactam negativamente as operações de mineração em Kivu do Norte, com interrupções recorrentes, especialmente na mina de Bisie (quase 6% da produção mundial). Em Mianmar, incertezas operacionais continuam limitando a extração a níveis inferiores às projeções iniciais do mercado.

Demanda robusta, limitada por baixos estoques

No curtíssimo prazo, a alta dos preços do cobre gerou efeitos de contágio especulativo para outros metais, incluindo o estanho. Além disso, os baixos níveis de estoque registrados em 2025 também sustentaram a valorização recente. O processo de recomposição de estoques durante o período de alta de preços intensificou ainda mais a tendência observada em janeiro. A volatilidade dos preços deve começar a moderar à medida que os movimentos especulativos diminuírem.

No longo prazo, a demanda industrial por estanho deve continuar em trajetória ascendente. O crescimento da demanda por componentes eletrônicos se intensificará à medida que tecnologias baseadas em dados exigirem infraestruturas intensivas em metais. Segundo o relatório mais recente da SEMI, os embarques globais de wafers de silício devem mantes o crescimento anual acima de 5% em 2026.

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