Principais insumos da construção registram aumento em março e abril

Estudo do Ecossistema Sienge aponta uma virada do mercado após um período de estabilidade e até deflação em parte dos insumos da construção

Por Redação

em 29 de Maio de 2026
Hat at construction site

Depois de meses de estabilidade e até queda nos preços de alguns materiais de construção, março e abril marcaram uma virada no setor, segundo o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC) do Ecossistema Sienge. Até fevereiro, quatro dos cinco insumos monitorados estavam estáveis ou em queda, com exceção do fio de cobre, que já vinha pressionado. A alta começou a se consolidar em março, impulsionada por reajustes de empresas brasileiras e pelo cenário global de volatilidade na energia e em commodities metálicas. Em abril, os preços subiram ainda mais confirmando a reversão do ciclo de queda.

O levantamento mostra que março representou o primeiro mês de 2026 com inflação em boa parte dos principais insumos de construção. O cimento subiu 1,28% em todo o País, revertendo as pequenas quedas de janeiro (-0,14%) e fevereiro (-0,33%). O fio de cobre aumentou 2,67%, acumulando 28,63% em 12 meses, mantendo a trajetória de alta sustentada iniciada em agosto de 2025. A argamassa registrou alta de 0,71%, ainda dentro de um cenário de deflação acumulada de 7,21% em 12 meses, enquanto a tinta praticamente não variou (0,05%). Já o ferro/aço apresentou leve recuo de 0,29% no mês, mantendo a tendência de estabilidade observada no início do ano.

Já em abril, o movimento se intensificou, consolidando a mudança de tendência: quatro dos insumos monitorados registraram alta simultaneamente. O cimento disparou 4,16%, atingindo o maior patamar da série recente, e o fio de cobre seguiu pressionado, subindo 4,32%, resultado de fatores estruturais no mercado internacional de metais e energia. Argamassa e tinta também registraram alta, de 0,86% e 1,39%, respectivamente, enquanto o aço manteve estabilidade (0,04%).

Cenário geopolítico explica

Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, afirma que já era esperado que houvesse um aumento de preços gerais nos custos de materiais de construção, devido ao cenário geopolítico. O cenário internacional segue adicionando pressão sobre os custos da construção em um ambiente marcado por maior volatilidade nos preços do petróleo e manutenção de níveis elevados de commodities metálicas, com impactos persistentes sobre cadeias industriais intensivas em insumos básicos.

Segundo a gerente, o índice reforça o movimento já observado pelo mercado. “O IPMC confirma a curva de inflação apontada pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), da FGV, que registrou alta de 1,04% em abril e acumula 6,28% nos últimos 12 meses”, explica.

Entenda a metodologia usada

O IPMC é desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O índice acompanha mensalmente insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. Já o modelo estatístico foi desenvolvido para medir a variação média dos preços de insumos essenciais da construção civil em todas as regiões do Brasil. O IPMC utiliza técnicas avançadas de tratamento de dados e inteligência artificial para garantir precisão, representatividade e confiabilidade nos resultados, além de realizar classificação automática dos insumos e extrair características relevantes das descrições dos produtos. A validação dos resultados foi calculada com um intervalo de confiança de 95%, o que garante confiabilidade estatística nos valores mensais estimados para cada insumo.

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