O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) foi apontado como o principal responsável pelo avanço da infraestrutura brasileira nos últimos anos, segundo relatório divulgado em junho de 2026 pela China International Contractors Association (CHINCA) e pela China Export and Credit Insurance Corporation (Sinosure). O estudo destaca o programa como um dos fatores decisivos para que o Brasil alcançasse a liderança no Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura dos Países de Língua Portuguesa (BRIDi).
O levantamento analisa nove países lusófonos e classifica o Brasil na primeira posição com 129 pontos, alta de um ponto em relação a 2025. O relatório menciona diretamente o Novo PAC ao explicar o crescimento do País, destacando a expansão dos investimentos em energia elétrica, transportes e infraestrutura digital como vetores centrais do crescimento.
Modelo de investimento é diferencial do Brasil
O relatório chinês destaca a política brasileira de investimento público em infraestrutura com horizonte de longo prazo e capacidade de execução contínua. Segundo o documento, os demais países lusófonos dependem de financiamento externo e parcerias com empreiteiras estrangeiras para viabilizar suas carteiras de projetos.
Dados do governo federal mostram que, até agosto de 2025, já haviam sido executados R$ 944,8 bilhões dos R$ 1,3 trilhão previstos para aplicação do programa entre 2023 e 2026, o equivalente a 70,8% do total programado. Para associações como a CHINCA, que orienta investimentos de construtoras em mais de 70 países, as características do Brasil são o tipo de sinal que diferencia um mercado estruturado de um mercado dependente de ciclos externos.
O segundo lugar do ranking ficou com Moçambique (118 pontos), impulsionado por projetos de energia e pelo apoio de instituições financeiras multilaterais. Angola aparece em terceiro (115 pontos), com avanços no corredor ferroviário de Lobito e na expansão solar no sul do país.
Áreas em que o Novo PAC mais influencia, segundo o relatório
A transição energética está no centro da demanda projetada pelo BRIDi para o Brasil em 2026. O índice registra crescimento esperado de 23,4% na capacidade instalada de energia eólica e solar em relação ao ano anterior. Dois projetos lideram esse avanço: o complexo fotovoltaico Rui Barbosa, de 400 MW, e o parque eólico Serra do Assuruá, de 846 MW, ambos na Bahia, entregas que somam 1.246 MW de energia limpa chegando à rede elétrica. O Novo PAC tem impacto direto nessa área, pois impulsionou a construção de corredores de transmissão de alta tensão entre o Nordeste, maior produtor de energia renovável do País, e os centros de consumo do Sudeste.
Na mobilidade, o programa sustenta uma carteira robusta. São Paulo bate recorde histórico em investimentos em trilhos, com R$ 79,9 bilhões aportados. A ferrovia intercidades São Paulo–Campinas entrou em obras com investimento de R$ 142 bilhões. Oito licitações ferroviárias federais foram lançadas com traçados que somam 9 mil quilômetros e R$ 140 bilhões em investimento direto. Nos portos, nove projetos de modernização foram aprovados com R$ 5,1 bilhões.
O BRIDi também destaca a expansão do 5G para o interior do Brasil. O relatório aponta a chegada das redes ao Centro-Oeste agrícola como salto qualitativo — conectividade que viabiliza automação, monitoramento remoto e redução de perdas na cadeia de abastecimento de alimentos. Ainda em infraestrutura digital, o relatório destaca a implantação de grandes data centers verdes em São Paulo e Fortaleza, alimentados diretamente por energia solar.


