Climatização representa 47% do gasto de energia em prédios comerciais e públicos no Brasil

Especialista alerta que falta de monitoramento e falhas simples de manutenção elevam consumo; diagnóstico técnico e sensores de presença estão entre as soluções para reduzir perdas

Por Redação

em 21 de Maio de 2026

Sistemas de climatização já representam até 47% do consumo total de energia em edifícios comerciais e públicos no Brasil, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Mesmo com esse peso na conta de luz, a gestão desses sistemas ainda é negligenciada em muitas empresas, o que resulta em consumo acima do necessário e perda de eficiência operacional.

Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, especialista em climatização e CEO do Grupo RETEC, afirma que o problema não está apenas no equipamento, mas na forma como ele é operado. Ele explica que a falta de monitoramento do desempenho dos sistemas de climatização é a razão desse gasto energético e que, sem controle e manutenção adequada, o equipamento passa a consumir mais energia do que deveria.

Onde estão as perdas de eficiência

Parte relevante do consumo elevado está associada a falhas operacionais que passam despercebidas no dia a dia. Equipamentos desregulados, sensores imprecisos, filtros sujos e ausência de automação fazem com que o sistema opere em potência máxima mesmo quando a demanda é menor. Isso acaba causando um desperdício contínuo e o sistema pode acabar operando como se o ambiente estivesse sempre cheio, algo que não corresponde à realidade.

A falta de integração com sistemas de gestão predial também contribui para o problema, sem dados em tempo real, empresas não conseguem identificar picos de consumo ou corrigir desvios de desempenho, transformando a climatização em um custo fixo elevado e pouco controlado.

Alguns indicadores ajudam a identificar falhas na climatização, contas de energia acima da média, ambientes com temperatura instável, equipamentos operando continuamente e aumento na frequência de manutenção corretiva são sinais recorrentes de ineficiência. Segundo a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), cerca de 40% das falhas em sistemas de climatização poderiam ser evitadas com manutenção preventiva, o que reforça o impacto direto da gestão técnica sobre o consumo energético.

Gestão do ar-condicionado é estratégica para conta de energia

A redução do consumo passa por medidas técnicas e operacionais que não exigem necessariamente grandes investimentos iniciais. Tecnologias como sistemas inverter, sensores de presença e automação permitem ajustar o funcionamento dos equipamentos conforme a ocupação dos ambientes.

De acordo com Galetti, esse tipo de ajuste pode gerar ganhos expressivos. “Quando o sistema passa a operar de forma inteligente, o consumo se reduz de maneira consistente. A empresa deixa de gastar energia onde não há necessidade e melhora o desempenho do ambiente”, afirma.

Soluções mais avançadas, como sistemas de volume de refrigerante variável e centrais de água gelada modernizadas, podem reduzir significativamente o consumo energético em projetos estruturados, além de diminuir as emissões associadas à operação.

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