O setor da construção civil enfrenta um grande desafio que só tende a aumentar nos próximos anos: a falta de engenheiros. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil registra um déficit de aproximadamente 75 mil engenheiros, número que se reflete na dificuldade de 90% das construtoras contratarem esses profissionais, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e 71% relatam o mesmo desafio segundo o IBRE/FGV. Para driblar essa demanda, construtoras têm investido em capacitação a partir de universidades corporativas.
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Um dos exemplos entre as construtoras é a catarinense FG Empreendimentos, que criou a Educ FG, iniciativa de capacitação digital desenvolvida em 2026 para organizar e ampliar a jornada de desenvolvimento de seus colaboradores que já era exercida de forma descentralizada a partir de treinamentos.
A paranaense Cesbe Engenharia também conta com sua universidade corporativa, a Academia Cesbe, cujo destaque é o MBA Executivo em Liderança, Inovação e Gestão de Resultados, voltado ao desenvolvimento das lideranças, realizado em parceria com uma instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), assim como o diploma emitido. A formação busca ampliar competências de gestão, fortalecer a atuação dos líderes e prepará-los para os desafios atuais e futuros do negócio.
Construtoras focam em desenvolver soft skills
Lançada em 2023, a Academia Cesbe já registrou mais de 2,5 mil participações, distribuídas em aproximadamente 170 turmas. Para alcançar esses números, a construtora estimulou a participação envolvendo as lideranças de suas equipes, divulgando em canais internos e incluindo os treinamentos nas jornadas de desenvolvimento dos colaboradores.
Ana Paula Celline, diretora de Recursos Humanos da Cesbe Engenharia, aponta que as capacitações são estruturadas de acordo com os públicos e os desafios de cada função, podendo incluir conteúdos relacionados à liderança, competências técnicas e desenvolvimento comportamental, segurança, qualidade, processos internos e ferramentas de trabalho. “O objetivo é apoiar a formação contínua dos colaboradores, conectando conhecimento técnico, competências comportamentais, cultura organizacional e necessidades do negócio.”
Já a FG Empreendimentos realizou quase 17 mil horas de treinamento, o equivalente a uma média de 32 horas por colaborador, somente em 2025, antes mesmo de formalizar o processo de criação da Educ FG. Com a universidade corporativa digital, a construtora quer dar escala a essa iniciativa que oferece mais de 500 treinamentos, distribuídos entre conteúdos técnicos, comportamentais e de liderança.
O acesso acontece pelo aplicativo YouRH ou pela intranet, permitindo que os treinamentos sejam realizados com flexibilidade e de acordo com a rotina de cada área, inclusive nos canteiros de obras. As trilhas constam com conteúdos de comunicação interna e gestão e liderança, mas deverá incorporar gradualmente conteúdos técnicos autorais, desenvolvidos a partir das necessidades das áreas e das tecnologias utilizadas pela FG. Um diferencial é que os conteúdos seguem o modelo de microlearning, com vídeos curtos, avaliações ao final de cada módulo e certificação digital.
Atualmente, 435 colaboradores estão matriculados na Educ FG. Cerca de 60% já realizaram o primeiro acesso e, entre os profissionais das obras, a adesão chegou a 37%. A meta é alcançar 100% de acesso ao aplicativo e atingir 80% de adesão à trilha Start Colaborador, que trata sobre comunicação.
Impacto de universidades corporativas no turnover de construtoras
A FG diz que sua estratégia com a Educ FG ainda não trouxe impacto mensurável sobre o turnover, mas que o índice na empresa é inferior à referência setorial no Brasil. Ela atribui esse resultado não só às iniciativas de capacitação, mas também à combinação entre remuneração, benefícios, condições de trabalho, qualidade da liderança, reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento.
A Cesbe também reconhece que o turnover é influenciado por diferentes fatores, inclusive pelas características e pelos ciclos dos projetos de construção, mas aponta que ações como a sua universidade corporativa contribuem para fortalecer o vínculo dos colaboradores com a empresa, ampliar o engajamento e melhorar a experiência das equipes.
“Na Cesbe, entendemos que a retenção de profissionais na construção civil depende de uma combinação de fatores, que envolve acolhimento, desenvolvimento, condições adequadas de trabalho, reconhecimento e perspectivas de crescimento”, diz Ana Paula. “Por isso, nossas iniciativas abrangem diferentes etapas da jornada do colaborador, desde a integração e a preparação para o trabalho até o acompanhamento das equipes ao longo dos projetos”, finaliza.


