GWM inicia testes no Brasil com caminhão a hidrogênio

Veículo vai passar por testes de P&D com universidades para transferência de conhecimento; provas em vias públicas devem ficar para o futuro

Por Redação

em 22 de Agosto de 2025

A GWM Hydrogen vai começar testes no Brasil de seu caminhão movido a hidrogênio. A iniciativa faz parte da estratégia da marca para criar um ecossistema de hidrogênio no Brasil, com parcerias estratégicas e soluções adaptadas à realidade do País. O veículo desembarcou no Porto de Santos (SP) e seguiu para a fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), onde passará por inspeções e validações antes de iniciar seus testes de rodagem.

A tecnologia do caminhão foi desenvolvida pela FTXT, subsidiária da GWM na China responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de célula de combustível e componentes para o hidrogênio. Durante este mês de agosto, a equipe de engenharia de produto da montadora, em parceria com especialistas vindos da China, dará início à inspeção técnica do caminhão, com foco inicial na verificação da integridade e desempenho da bateria elétrica.

A GWM explica que veículos com célula de combustível são, na essência, elétricos, pois trabalham em conjunto com a bateria para garantir mais desempenho, segurança e autonomia. Por isso, antes de entrar em operação, passam por validações específicas da bateria e, na sequência, pelos testes da célula de combustível — que utiliza hidrogênio como vetor energético. O ponto positivo é que a reação com o oxigênio gera eletricidade e, como subproduto, apenas vapor de água (H₂O).

O veículo conta com uma bateria de 105 kWh e um conjunto de cilindros com capacidade para 40 kg de hidrogênio, que alimentam as células de combustível para gerar eletricidade. O sistema também permite recuperação de energia em desacelerações e frenagens, como em descidas de serra.

Fase de testes

Os primeiros testes com o sistema de hidrogênio estão programados para setembro, em parceria com universidades brasileiras, incluindo a Universidade de São Paulo (USP), que já conta com infraestrutura para abastecimento a partir do etanol, tecnologia desenvolvida no Brasil para produzir hidrogênio de baixo carbono.

Inicialmente, os testes terão caráter essencialmente de pesquisa e desenvolvimento, com foco na transferência de conhecimento para as equipes brasileiras e na colaboração com centros de pesquisa e universidades.

Antes de iniciar a rodagem em vias públicas, o veículo passará por avaliações de suspensão, desempenho e segurança em pistas de prova no interior de São Paulo. Inicialmente, a operação será feita sem carga, evoluindo gradualmente para condições reais de transporte. O objetivo é coletar dados sobre hábitos de condução no Brasil e entender como temperatura, altitude, tipo de pavimento e condições de rodagem influenciam a eficiência do sistema.

Após essa primeira fase, o caminhão será testado em infraestruturas de abastecimento com diferentes fontes de hidrogênio: seja eletrolítico (ou hidrogênio verde) ou hidrogênio da reforma do etanol. Em um terceiro momento, a GWM fará uma avaliação econômico-financeira para estimar a viabilidade comercial da tecnologia no país.

GWM fez parcerias com governos para incentivar desenvolvimento de caminhões movidos a hidrogênio

Os testes no Brasil fazem parte dos esforços de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da GWM dentro do Programa MOVER, do Governo Federal, e se alinham ao plano global da companhia de neutralizar suas emissões de carbono até 2045.

O projeto é fruto de um memorando de entendimento (MoU) assinado em 2023 com o Governo do Estado de São Paulo, que teve como objetivo estudar a viabilidade da tecnologia no Brasil. Em 2024, a GWM mapeou cinco projetos em estágio avançado de maturidade para infraestrutura de abastecimento, o que permitiu avançar para a fase de testes.

Além disso, em novembro de 2024, a GWM Hydrogen firmou um acordo com o Governo de Minas Gerais e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) para desenvolver caminhões movidos a hidrogênio verde. A parceria prevê fornecimento de hidrogênio pela Unifei, intercâmbio de conhecimento e criação de infraestrutura de abastecimento no estado.

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