Segundo análise da imobiliária MBRAS, o cenário macroeconômico está se reconfigurando para inaugurar um potencial ciclo de expansão imobiliária da década. A empresa se baseia na queda sustentada da Taxa Selic, já sinalizada e projetada pelo setor financeiro, que atuará como o principal catalisador para destravar o mercado imobiliário. O setor financeiro, por meio do Boletim Focus, realizado pelo Banco Central, já contratou o Ciclo de Flexibilização Monetária. A expectativa mediana para a Selic ao final de 2026 recuou para 12%.
O corte projetado chega a 300 pontos-base em relação ao pico atual da Selic de 15% ao ano. Essa redução é o fator que sustenta o otimismo para a retomada do setor imobiliário. Para Lucas Melo, CEO da MBRAS: “Este movimento macroeconômico aumenta a capacidade de compra do consumidor, impulsionando a demanda reprimida e, por consequência direta, catalisando a valorização dos preços dos imóveis.”
Além disso, a desaceleração gradual da atividade econômica, com o Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 projetado em 1,78%, abre espaço para que o Banco Central inicie a flexibilização monetária no primeiro trimestre de 2026, conforme análises internas. O fato de o mercado ter uma data e um patamar (12,00% em 2026) para a redução da taxa de desconto é crucial. Essa previsibilidade de custo de capital e de demanda é o que permite que incorporadoras aumentem seus lançamentos.
O impacto da Selic no mercado imobiliário
Apesar da importância da Selic, é fundamental entender como ela se traduz em taxas de financiamento imobiliário. Economistas estimam que a diminuição de cada ponto percentual nos juros pode gerar um desconto de 7% a 8% na parcela mensal do financiamento. Atualmente, clientes optam por criar investimentos com um lastro fixo, devido m alta taxa de juros, mas com a queda prevista o financiamento passa a ser visto, para o cliente de alto padrão, como algo vantajoso.
Em ciclos de queda, a redução do spread para o consumidor tende a ser significativamente mais lenta, uma vez que os bancos reagem à sua percepção de risco futuro e aos custos de captação. A queda da Selic pode funcionar como um catalisador que transforma a intenção de compra em concretização do negócio. Além disso, o cliente que deseja comprar e vender algum imóvel busca resolver isso neste próximo ano devido a Reforma Tributária, que passará a vigorar em 2027.
O patamar de imóveis novos vendidos anualmente em grandes centros urbanos, como São Paulo, poderia saltar de 25-30 mil para 55 mil unidades, impactando diretamente no volume de negócios. Apesar do ambiente macroeconômico restritivo, o mercado imobiliário demonstrou resiliência em 2025, o que indica uma base sólida para a expansão em 2026.
Poupança pode voltar a gerar interesse
O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que é a principal fonte de recursos para financiamentos de médio e alto padrão, sofreu contração. A Selic alta tornou a poupança menos atrativa como fonte de captação, resultando em uma projeção de queda de 20% no volume de contratações em 2025, totalizando R$ 150 bilhões em financiamentos via poupança.
A queda projetada da Selic permitirá que o mercado passe de uma estrutura de crédito dependente majoritariamente do FGTS para um modelo de “motor duplo”. O SBPE (que atende o Médio e Alto Padrão) retomará sua força, alavancando a demanda em segmentos de maior valor e promovendo uma expansão mais generalizada e robusta.
A principal correlação macroeconômica a ser estabelecida é que a queda da Selic, ao baratear o financiamento, resulta em um aumento imediato e significativo da demanda, o que, por sua vez, leva ao aumento do preço dos imóveis. Especialistas do setor financeiro confirmam que a demanda aquecida, combinada com a valorização dos insumos da construção civil, exerce uma pressão inflacionária direta sobre o preço final do ativo.


