Infraestrutura da Nextel garante liderança da operadora em redes 4G na região de DDD 21

Por Nelson Valêncio – editor executivo – 06.06.2016 –

 

Jorge Braga, da Nextel.

Jorge Braga, da Nextel.

Nessa entrevista para o Infraroi, Jorge Braga, diretor de Operação da Nextel explica como os investimentos em tecnologias inovadoras de gerenciamento e manutenção de rede aumentaram a eficiência operacional da empresa em 40%. O executivo também nega os rumores de venda da companhia. De acordo com ele, após um período de ajustes, a companhia vem ganhando liquidez e ampliando seu market share “de forma relevante no Rio de Janeiro (14,3%) e em São Paulo (7,4%)”, seus principais mercados. “Fechamos 2015 com turnaround operacional – com o bom desempenho mantendo-se no primeiro trimestre deste ano – e conquistamos a liderança no segmento 4G dentre os usuários do DDD 21. Nosso objetivo é continuar crescendo no segmento pós-pago e ampliando a liquidez da companhia”, enfatiza Braga. Leia a entrevista completa:

Infraroi: Qual é a infraestrutura atual de rede da Nextel e o plano de expansão para os próximos anos?

Jorge Braga: Atualmente a cobertura Nextel engloba mais de 90% do PIB Nacional com duas tecnologias de telecomunicações: o Serviço Móvel Especializado (SME) via rádio iDEN e o Serviço Móvel Pessoal (SMP) via redes 3G/4G, que possuem infraestruturas diferentes. No caso do SME, a Nextel tem uma cobertura em 388 cidades, espalhadas por 13 estados, além do Distrito Federal. Trata-se de um serviço de nicho, que por conta da agilidade oferecida pela comunicação instantânea e em grupo ainda tem grande relevância para empresas de diversos segmentos, como comércio, segurança, transporte, construção, logística e hotelaria. Metade dos 200 maiores grupos empresariais do Brasil utilizam os serviços de rádio que oferecemos, o que gera receitas relevantes para a estratégia de crescimento da companhia e assegura os investimentos necessários para a manutenção da rede iDEN.

Com relação ao SMP, a Nextel detém uma licença nacional e está expandindo sua rede de acordo com os compromissos obrigatórios assumidos no leilão da Banda H, em 2010. Atualmente são mais de 600 cidades em todo o País, com aproximadamente 6.100 estações rádio base (ERBs). Assinamos, no começo de 2014, um acordo de roaming com uma operadora parceira, que permite aos nossos clientes o uso da telefonia celular em todos os estados do Brasil.

Infraroi: O que pauta o planejamento da expansão da rede?

JB: O planejamento é  baseado na visão do cliente, de modo a garantir a melhor experiência de uso de serviços de voz, dados e outras aplicações. São avaliados o crescimento de tráfego, tendências de mercado e a estratégia de crescimento, criando-se projeções para expansões de software e hardware a fim de atingir e manter os melhores índices de qualidade e capacidade.  

O planejamento consolida as ações e investimentos necessários, que são monitorados e ajustados ao longo do tempo. Nos diferentes elementos da rede tem-se, principalmente, a análise de ocupação atual dos recursos disponíveis (quantidade de usuários simultâneos conectados). Na projeção, são identificados os pontos que necessitarão de recursos adicionais físicos ou lógicos e a solução técnica e financeiramente mais apropriada para manter os patamares desejáveis. Tais ações se traduzem nos melhores indicadores de rede nos dois maiores centros urbanos do país, São Paulo e Rio de Janeiro. Para esse ano, esperamos expandir a cobertura e prover internet 3G em mais de 400 cidades, bem como iniciar a implantação da tecnologia de 4G na cidade de São Paulo.

Infraroi:Como é realizada a interligação entre as ERBs? Usa-se rede fixa óptica própria ou de terceiros? 

JB: A topologia para a interligação das ERBs é feita através do nosso próprio backhaul, utilizando sistema de enlaces de rádio microondas, configurados com redundância HSB (Hot Stand by). Nessa topologia, os enlaces convergem para os concentradores (HUBs) que interligam as nossas ERBs com o core da rede através do backbone de alta disponibilidade. O backbone, por sua vez, é composto de enlaces ópticos contratados de terceiros, com configuração em anel de dupla abordagem, garantindo a confiabilidade e a alta disponibilidade da rede.

Infraroi: Que avanços tecnológicos foram feitos na rede da Nextel e como esses avanços refletem na fidelização do cliente?

JB: Com o contínuo crescimento do uso de dados e navegação, torna-se necessário integrar ao planejamento estratégico da empresa o acompanhamento de tendências. A Nextel leva conexão de alta velocidade aos seus usuários como os serviços ofertados de 4G geração para diversas cidades no Rio de Janeiro. Adicionalmente, está prevista a implantação da cobertura LTE para São Paulo. Temos uma rede 3G e LTE com infraestrutura mais moderna do mercado. Por se tratar de novos equipamentos, é possível a integração com as melhores práticas de mercado no que tange gerenciamento e automação de rede.

Adotamos também outras soluções visando a melhoria da qualidade e capacidade da rede, como a instalação de novos modelos de antena de alta performance e aplicação de novas features. Estas ações impactam positivamente os principais indicadores de rede, tais como acessibilidade, quedas de chamada e taxa de velocidade de transmissão de dados, além de melhorar a percepção de nossos clientes.

Infraroi: O perfil de usuário continua sendo corporativo, mas existem mudanças de subperfis dentro do universo de assinantes?

JB: No serviço de iDEN, ainda é muito forte a presença do público corporativo, por conta da agilidade oferecida pela comunicação instantânea e em grupo. Desde 2013, a Nextel tem replicado esse modelo de relacionamento com o público corporativo para o universo 3G/4G, com a oferta de planos capazes de atender às diferentes necessidades do segmento. 

Infraroi: Em relação à manutenção da rede, qual é a estrutura que a Nextel detém e quais são os principais focos de atenção?

JB: A Nextel, em sua manutenção de rede, atua em três pilares: o centro de operação de rede (NOC), os serviços de campo (Field Services) e a qualidade de serviços (QoS). O NOC tem o papel de lidar com os problemas em tempo real, solucionando eventuais falhas na rede com objetivo de evitar ou minimizar o impacto nos clientes. O Field Services, por sua vez, é responsável por atender às demandas de manutenção corretiva e preventiva diretamente em campo, atuando em ERBs e demais equipamentos. Por fim, o Qo​S garante a qualidade da rede e assegura a melhor experiência do cliente através de bons níveis nos indicadores dos serviços oferecidos (voz, dados, etc), atuando de forma proativa em ajustes e otimizações de rede e adaptando a variação do perfil de uso conforme a tendência.

Infraroi: Em relação ao gerenciamento da rede, que melhorias foram ativadas nos últimos anos e que favorecem a operadora?

JB: Nos últimos três anos houve uma grande transformação tecnológica nessa estrutura, por meio de investimentos maciços em aquisição de ferramentas e integração, controle e automação de processos. Essas medidas permitem aos profissionais investir mais tempo nas atividades de maior valor agregado e proporcionaram  maior controle de qualidade dos serviços oferecidos aos usuários. A implementação delas contribuiu para melhoria na eficiência operacional na ordem de 40%, comparada aos patamares anteriores.

Entre as iniciativas, podemos citar os processos de recuperação automatizada de falhas, cuja ativação tinha como objetivo diminuir o tempo médio de reparo e configurações de rede, a ferramenta de gerenciamento da força de trabalho (WFM), que automatizou o envio de solicitações de correção/falha diretamente à equipe de campo via smartphone. Nesse caso, aumentamos a eficiência, pois o processo identifica os técnicos com o conhecimento adequado e a melhor localização em menor tempo.

Já a adoção da ferramenta de rede auto organizada (SON), que permitiu ajustes automatizados e em tempo real, garantindo a melhor relação entre a qualidade e os momentos de alta ocupação do uso da rede. Outro recurso adotado foi a ferramenta de CEM, sigla para gerenciamento da experiência do cliente. Com ela, monitoramos o perfil de uso dos serviços e aplicações, o que nos dá uma melhor relação com os usuários e a consequente adequação da rede para as novas demandas de mercado.

Infraroi: Como as novas tendências de virtualização das funções de rede (NFV) e de redes definidas por software (SDN) têm sido encampadas pela Nextel e quais são os benefícios para a operadora. 

JB: Acompanhamos constantemente as novas tendências no mercado. Há iniciativas para PoC (Proof of Concept) na rede Nextel, visando a funcionalidade e a interoperabilidade entre fornecedores distintos. Em relação a NFV e SDN, estamos em contato com fornecedores, buscando soluções e benefícios que podem ser gerados. 

 

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