O quarto trimestre de 2025 marcou uma virada importante no mercado imobiliário brasileiro, como aponta o Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), apurado pelo Ecossistema Sienge. Brasília (DF) assumiu a liderança no alto padrão, Fortaleza (CE) consolidou a primeira posição no econômico e São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Goiânia (GO) mantiveram presença constante entre os primeiros colocados em todos os padrões. O movimento do último trimestre confirma um ano menos concentrado e mais competitivo entre as regiões, segundo o ranking.
O ano passado começou com Curitiba liderando o segmento econômico, Goiânia à frente no médio e São Paulo no alto padrão. No segundo trimestre, cidades como Sorocaba (SP) e Belém (PA) ganharam tração. No terceiro, Fortaleza assumiu a liderança. Outras capitais do nordeste, como Recife (PE), Salvador (BA) e São Luís (MA) também subiram posições no ranking. O encerramento do ano consolidou esse redesenho regional.
Para Gabriela Torres, Gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, o comportamento do IDI ao longo de 2025 reforça que o mercado imobiliário brasileiro entrou em uma fase de maior dinamismo e menor previsibilidade concentrada. A mobilidade do ranking ao longo do ano seria motivada por uma demanda que está reagindo a fatores econômicos, oferta e perfil de lançamentos de forma mais sensível, aponta a especialista. “Isso exige acompanhamento constante dos dados e decisões baseadas em evidências atualizadas. Em um cenário mais distribuído, quem lê os sinais com rapidez e profundidade sai na frente”, finaliza.
Nordeste consolida liderança no padrão econômico do mercado imobiliário
Fortaleza começou 2025 entre os líderes do padrão econômico e assumiu a primeira posição no terceiro trimestre, mantendo a liderança até dezembro. Ao mesmo tempo, ampliou espaço no alto padrão, encerrando 2025 na segunda colocação. A capital cearense passou a figurar entre as cinco primeiras em todos os perfis de renda no fechamento do ano.
São Luís, por sua vez, registrou uma das maiores evoluções acumuladas de 2025. No médio padrão, saltou da 47ª para a 24ª posição. No alto padrão, subiu 11 colocações. No econômico, avançou sete posições. O movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da atratividade de lançamentos e expansão da oferta.
Recife e Salvador também permaneceram entre os mercados mais competitivos, ainda que com oscilações ao longo do ano. O resultado é um padrão econômico cada vez mais liderado por capitais nordestinas.
Goiânia: equilíbrio garante presença constante nos três padrões
A capital de Goiás esteve no Top 5 do padrão econômico durante todo o ano. No médio padrão, permaneceu entre as três primeiras colocadas em todos os trimestres. Já no alto, sustentou a segunda posição em três rodadas e encerrou 2025 na quarta colocação após a ascensão de Brasília e Fortaleza.
Poucas cidades combinaram esse desempenho simultâneo, explica Renato Correa, presidente da CBIC. Goiânia, segundo ele, manteve equilíbrio entre demanda direta, dinâmica econômica e absorção de novos lançamentos, indicando oportunidades estruturais. “Goiânia mostra que mercados fora do eixo tradicional podem crescer com estabilidade. A cidade manteve desempenho consistente em todos os padrões de renda, o que indica base econômica sólida e capacidade de absorção de novos projetos. Esse equilíbrio cria previsibilidade para o investidor e amplia as possibilidades de expansão planejada.”
Interior e polos regionais ganham espaço no Top 10
O ano também foi marcado pela presença recorrente de cidades não capitais entre os principais mercados. Sorocaba (SP) se consolidou como a única não capital no Top 10 do padrão econômico e também figurou entre os destaques do médio e alto padrão ao longo do ano. O avanço foi sustentado por aumento da demanda direta e forte atratividade de lançamentos.
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Porto Belo (SC) também voltou a chamar atenção no alto padrão, sendo a única não capital a figurar entre os principais mercados em rodadas anteriores e mantendo relevância estratégica em 2025. Campinas (SP), por sua vez, subiu 16 posições no alto padrão e encerrou o ano no Top 15 do segmento.
Expectativas para o mercado imobiliário brasileiro em 2026
A alternância nas lideranças e o crescimento acumulado do IDI ao longo do ano apontam para um cenário mais competitivo. No alto padrão, a liderança de Brasília no quarto trimestre marcou a primeira mudança no topo em 2025. No econômico, Fortaleza consolidou a posição. No médio, São Paulo, Curitiba e Goiânia mantiveram uma disputa equilibrada.
Para Gabriela Torres, Gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge, o comportamento do índice ao longo de 2025 revela uma dinâmica ampla do mercado. “Quando observamos os quatro trimestres em conjunto, percebemos que a movimentação do IDI não ficou concentrado em um único eixo geográfico. Houve avanço acumulado em capitais do Nordeste, consolidação no Centro-Oeste e fortalecimento de polos regionais”, diz.
José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, lembra que o IDI mostra um retrato do mercado em tempo real. “É importante perceber que este número indica como está a procura dos consumidores. É essa demanda que vai aquecer as vendas e o indicador deve ser usado para tomar melhores decisões. Temos neste índice dados de transações reais, sem pesquisa autodeclarada.”


