A demanda por novas obras segue aquecida, mas o setor da construção civil convive com uma severa escassez de mão de obra qualificada, além do aumento do custo de contratação e da dificuldade em manter equipes técnicas completas. O tema foi destaque na palestra “Construção 4.0: como a Inteligência Artificial está transformando a performance das empresas do setor”, realizada durante a Expo Build, em Curitiba (PR) na última semana.
De acordo com Thiago Weingartner, sócio-fundador da BTech, o desafio atual já não é apenas conjuntural, mas estrutural. Dados apresentados na palestra mostram que 22,5% dos trabalhadores da construção civil têm mais de 60 anos, que 82% das construtoras não conseguem preencher todas as vagas destinadas a operários e que o custo da mão de obra aumentou 69% nos últimos dez anos. As informações são da CBIC (2024), Plox (2024) e Leonardi (2024).
Automação surge como opção
Uma das boias de salvação que o setor enxerga é a automação, uma resposta direta à defasagem de equipes técnicas. Segundo especialistas, a tecnologia não substitui o fator humano, mas amplia a capacidade produtiva dos profissionais disponíveis, especialmente em um cenário de escassez e alta pressão por prazos.
Entre as principais aplicações apresentadas estão:
- a automação de diagnósticos e projetos integrados ao BIM (Building Information Modeling), que permite antecipar interferências e erros antes da execução;
- o planejamento preditivo da produção, que utiliza dados históricos e variáveis climáticas para otimizar prazos, equipes e logística;
- e sistemas de dosagem e aplicação guiada, que aumentam a precisão técnica em etapas críticas como impermeabilização e cura do concreto.
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Falta de integração de dados também é um desafio
A palestra também destacou que o setor vive um desafio adicional: a falta de integração entre informações, processos e sistemas. Para os especialistas, o ganho de produtividade depende cada vez mais da conexão entre dados ao longo de toda a cadeia da obra.
Mudanças rápidas no mercado exigem soluções tecnológicas igualmente ágeis, capazes de centralizar informações e reduzir perdas operacionais. Nesse contexto, ganha força a ideia de plataformas integradas, que concentram diferentes serviços em um único ambiente, reduzindo fragmentação e aumentando a eficiência. Na palestra, a proposta de integração apareceu como diferencial competitivo, permitindo que empresas tenham visão unificada da obra e tomada de decisão mais rápida.
A lógica apresentada aponta para sistemas que reúnem informações em uma única plataforma, tornando o processo mais dinâmico, rastreável e otimizado — com impacto direto em custos, produtividade e controle de execução.


