Nexa processa 198 mil toneladas de zinco a partir de reciclagem

Planta em Juiz de Fora se destaca como única recicladora de descargas siderúrgicas, alinhando inovação tecnológica e compromisso socioambiental

Por Redação

em 3 de Julho de 2026

Segundo a Nexa, sua unidade de polimetálicos em Juiz de Fora (MG) é a maior planta de reciclagem de zinco na América do Sul e já soma mais de 1 milhão de toneladas de Pó de Aciaria Elétrica (PAE) recicladas desde 2012. São 198,3 mil toneladas de zinco contido processadas, volume bem importante tendo invista que ela é a única produtora de zinco metálico na América Latina e única capaz de reprocessar descargas da siderurgia elétrica.

O processo de reciclagem é possível por meio do forno rotativo Waelz, equipamento alemão com 70 metros de comprimento que transforma o PAE em matéria-prima para a produção do zinco secundário. Como explica Rafael Falco, gerente industrial da unidade da Nexa, o forno consegue reciclar um resíduo que era um passivo ambiental destinado a aterros industriais, transformando em um produto para o setor siderúrgico.

As mais de 198 mil toneladas de zinco secundário processadas pela unidade de Juiz de Fora seriam suficientes para fabricar 9,9 milhões de unidades de carros, considerando que um automóvel médio utiliza cerca de 20 quilos de zinco em sua produção. Em outra comparação, a mesma quantidade de zinco secundário processado poderia fabricar mais de 2,4 milhões de quilômetros de arame galvanizado, levando em conta a quantidade de 80 gramas de zinco por metro de arame. Com esta metragem é possível realizar 61 voltas em torno da Terra.

Reciclagem: do pós ao zinco

O processo Waelz se inicia com o recebimento do PAE, que é pelotizado, um processo de transformação das partículas finas em esferas) antes de alimentar o forno. Dentro dele, o PAE e outros resíduos contendo zinco, como sucata metálica proveniente de bens domésticos, comerciais, demolições, veículos e maquinário fora de uso, são fundidos em alta temperatura.

Durante o aquecimento, elementos como zinco e outros metais volatilizam, são resfriados e geram o óxido Waelz, insumo para a produção do zinco metálico em lingotes, o principal produto da Nexa na unidade de Juiz de Fora. O agregado, a parte que não é reagida, é fonte de ferro e pode ser reintroduzida no processo de produção de aço, consequentemente reduzindo o impacto ambiental durante a extração desse recurso natural.

Pilhas descartadas alimentam a reciclagem

Pilhas velhas de aparelhos domésticos também alimentam o forno Waelz, reforçando neste item o papel desempenhado pela Nexa na cadeia de sustentabilidade, pela contribuição ao descarte responsável deste material. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o consumo anual de pilhas no Brasil é de aproximadamente 1 bilhão de unidades, o que equivale a cerca de 20 mil toneladas por ano. A Nexa possui uma parceria para receber as pilhas através da Green Eletron, entidade da Abinee sem fins lucrativos.

A companhia processa cerca de 150 toneladas de pilhas anualmente, representando quase 1% da geração brasileira anual. Ainda que a proporção de pilhas recicladas no Brasil seja pequena, o processo Waelz possui capacidade para absorver toda a geração nacional.

Embora atualmente não haja parcerias formais com cooperativas de catadores, a Nexa estuda iniciativas para envolver organizações locais na coleta seletiva, ampliando o impacto social do projeto. A operação já contribui indiretamente para a empregabilidade na região, assegurando a viabilidade econômica da unidade por meio da reciclagem.

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