A Abimaq, associação que representa a indústria brasileira de maquinários, iniciou uma série de ações para defender o setor diante da proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo máquinas e equipamentos. A medida consta do relatório preliminar divulgado pelo USTR (United States Trade Representative), que abriu consulta pública antes da definição final das tarifas, prevista para julho.
A entidade diz que a volta das tarifas não surpreendeu o setor, que já trabalhava com essa possibilidade e acompanha o processo desde o início da investigação comercial americana, que prevê consulta e audiência pública antes da decisão final. Como estratégia, a Abimaq se reuniu com integrantes do governo federal para discutir a atuação diante do cenário e reforçar a necessidade de coordenação nas frentes diplomática e técnica.
Abimaq aponta risco para empresas americanas
A associação também prepara contribuições técnicas para a consulta pública norte-americana. Os argumentos giram em torno dos impactos sobre as cadeias produtivas dos dois países. Atualmente, mais de 80% das exportações brasileiras de máquinas para os EUA ocorrem entre unidades de uma mesma empresa, ou seja, a tarifa incidiria sobre investimentos de grupos com operações nos dois países.
Além disso, componentes de máquinas, segundo item mais exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, são utilizados na fabricação de equipamentos em território norte-americano, de modo que a sobretaxação elevaria custos para a própria indústria americana.
Para o Brasil, há o risco de substituição de fornecedores. Caso as tarifas sejam implementadas, outros países exportadores poderão ocupar espaços hoje atendidos pelo Brasil. Caberá à indústria nacional encontrar novos compradores para suprir a demanda.
Abimaq aconselha empresas
O setor já enfrentou situação semelhante quando tarifas de até 50% foram aplicadas sobre máquinas brasileiras. Embora a decisão judicial que as suspendeu tenha trazido alívio, a possibilidade de novas medidas mantém o ambiente de atenção permanente.
Como medida preventiva, a Abimaq tem orientado as empresas associadas a avaliar a antecipação de embarques para os EUA, como forma de reduzir riscos diante de eventuais mudanças no curto prazo.


