Brasil precisa de R$ 900 bi para atender metas de saneamento básico

Saneamento representa apenas 4,12% do estoque do PIB e exige mais que o dobro de investimento para alcançar padrão mundial, aponta estudo

Por Redação

em 5 de Novembro de 2025
Obra de saneamento realizada em Ipatinga (MG) (foto: NITRO Historias Visuais).

O Raio X da Infraestrutura Brasileira, estudo elaborado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura (Sinicon) e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), mostra que o País ainda está longe de atingir as metas de universalização do Marco Legal do Saneamento para 2033. Para atender a 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, o Brasil precisará investir cerca de R$ 900 bilhões na próxima década.

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Cerca de 32 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à rede de água tratada. Atualmente, 84,9% da população têm acesso à água tratada, enquanto apenas 56% contam com coleta de esgoto. Isso significa que mais de 90 milhões de brasileiros ainda utilizam fossas rudimentares ou despejam resíduos diretamente no meio ambiente. Apenas 52,2% do esgoto gerado no país é tratado, o que compromete rios e mananciais e agrava os impactos ambientais.

Papel do setor privado nos investimentos em infraestrutura e saneamento

Estudo do Sinicon mostra que o setor de saneamento representa apenas 4,12% do PIB em estoque de infraestrutura, atrás de eletricidade (14,22%), rodovias (5,88%) e telecomunicações (5,10%). Além disso, o setor apresenta uma lacuna de 137% em relação ao nível de investimento necessário para atingir a média mundial, sendo um dos segmentos mais carentes do País.

Nos últimos anos, os investimentos públicos em infraestrutura caíram drasticamente, passando de R$ 94,7 bilhões em 2014 para R$ 34,9 bilhões em 2022. Essa retração abriu espaço para a iniciativa privada, que hoje responde por 76% dos aportes totais. Em 2024, os investimentos somaram R$ 259 bilhões, o equivalente a 2,22% do PIB, ainda insuficiente para cobrir a depreciação dos ativos públicos e atender às demandas crescentes do país. O levantamento indica que, para o Brasil alcançar o padrão internacional de infraestrutura, seria necessário mais que dobrar o volume médio anual de investimentos, passando de 2% para 4,19% do PIB.

Para o Sinicon, o investimento em infraestrutura, especialmente em saneamento básico, é essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. “Não se trata apenas de ampliar redes de água e esgoto, mas de promover qualidade de vida, reduzir desigualdades e impulsionar a produtividade. Países que alcançaram alto nível de competitividade e bem-estar social o fizeram com base em uma infraestrutura sólida e contínua. O Brasil precisa retomar esse caminho com planejamento e segurança regulatória”, afirma Humberto Rangel, diretor executivo do Sinicon.

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