As tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que agora parecem se aproximar de um novo acordo, têm gerado instabilidade econômica global. A crise também reverbera no Brasil e as incertezas alimentam os custos para a importação de produtos, que já sofrem com a taxa de juros e as dificuldades na contratação de financiamentos. O setor de telecomunicações é um dos afetados por esse cenário e seus investimentos em fibra óptica devem ser adiados.
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Quando se trata de cobertura de internet no País, os investimentos na expansão de redes de fibra óptica, que podem levar sinal de internet de qualidade a áreas mais remotas, podem ficar comprometidos. A alta taxa de juros no Brasil, aspecto que tem dificultado a obtenção de financiamentos para ampliação, acaba traduzindo-se em custos mais elevados. Estes custos são transferidos aos produtos finais, pressionando toda a cadeia do setor, dos fabricantes até os consumidores finais.
Para a CEO da Fibracem, Carina Bitencourt, em um curto prazo, a previsão é que Provedores de Internet optem por priorizar a manutenção de sua base atual de operações ao invés de buscarem expansão. Contudo, no médio e longo prazo, caso haja uma estabilidade maior e um ambiente econômico mais favorável, pode-se esperar inversão desse cenário.
A executiva da companhia brasileira lembra que o setor de Telecom já vem presenciando um crescimento mais lento nos últimos anos, situação que deve se agravar graças aos entraves entre as duas potências mundiais.
“Creio que as empresas vão precisar diversificar fornecedores, reduzindo a dependência de países envolvidos nas disputas, como China ou Estados Unidos, buscando alternativas em polos emergentes como Vietnã, Índia, México e Brasil, além de nacionalização e regionalização de cadeias produtivas e, claro, atenção maior para investimento em P&D e tecnologias próprias”, finaliza a CEO.


