Nova regulamentação da ANTT acelera a importância dos ERPs no transporte de cargas

Obrigatoriedade do CIOT reforça a necessidade de integração e torna os ERPs essenciais para evitar riscos e garantir eficiência no transporte

Por Redação

em 2 de Junho de 2026

Por Guilherme Volpi*

A logística brasileira sempre conviveu com um paradoxo, onde de um lado, é um setor vital para o funcionamento da economia, responsável por abastecer indústrias, supermercados, hospitais, comércio eletrônico, entre outros, e do outro lado, ainda enfrenta desafios ligados à burocracia, baixa previsibilidade operacional e dificuldade de integração entre áreas financeiras, fiscais e operacionais.

Agora, um novo capítulo dessa transformação regulatória chega com força total, que é a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as operações de transporte rodoviário de cargas a partir de 26 de maio, conforme determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Muita gente ainda trata o tema apenas como mais uma exigência documental, e não é, o impacto é operacional, financeiro e estratégico. Na prática, sem CIOT não haverá emissão do manifesto eletrônico de carga. Sem manifesto, o caminhão não roda. Isso significa que empresas despreparadas podem enfrentar paralisações, atrasos em entregas, perda de faturamento, aumento de multas e rupturas em contratos logísticos.

É importante entender que o setor de transporte já passou por uma forte digitalização nos últimos anos. Há mais de uma década, o Brasil opera com documentos fiscais eletrônicos, como Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), e praticamente todas as transportadoras já trabalham com emissão eletrônica, seja de forma mais automatizada ou ainda com processos parcialmente manuais. O ponto que muda agora está principalmente na integração financeira da operação.

Tecnologia deixa de ser apoio e vira operação

Quando falamos em CIOT, não estamos falando apenas de gerar um código, mas de garantir rastreabilidade da operação, conformidade fiscal, integração de pagamentos, validação documental e sincronização em tempo real entre embarcadores, transportadoras, motoristas e órgãos reguladores.

A grande mudança está na conexão entre a emissão do CIOT e a gestão financeira do frete, especialmente no controle dos pagamentos relacionados à carta-frete e nas exigências que passam a ganhar ainda mais relevância dentro do contexto da reforma tributária. Isso exige operações muito mais integradas, transparentes e auditáveis.

Nos últimos anos, o transporte rodoviário brasileiro viveu uma aceleração intensa, onde o e-commerce aumentou a pressão por entregas rápidas, o consumidor passou a exigir previsibilidade e os custos operacionais dispararam. Nesse cenário, operar sem inteligência integrada virou um risco diário.

É justamente nesse momento que os ERPs passam a ter um papel ainda mais estratégico. Quando os sistemas conversam entre si, a emissão do CIOT deixa de ser um evento isolado e passa a fazer parte natural do fluxo operacional e financeiro da empresa. O cadastro do frete, validação do transportador, emissão documental, gestão de pagamentos, controle financeiro e geração do manifesto passam a ocorrer de forma integrada, reduzindo falhas humanas e diminuindo drasticamente o risco de bloqueios operacionais ou inconsistências fiscais.

O Brasil ainda perde bilhões de reais todos os anos com ineficiência logística, seja em horas paradas, retrabalho, divergências fiscais, falhas financeiras, documentos inconsistentes ou problemas operacionais. Muitas vezes, o empresário acredita que seu maior custo está no combustível ou na frota, quando, na verdade, o desperdício está na falta de integração da gestão.

A logística do futuro será menos tolerante à desorganização

A obrigatoriedade do CIOT acaba funcionando como um divisor de águas, porque força o setor a encarar se sua operação está preparada para funcionar em tempo real e de forma totalmente integrada entre fiscal, financeiro e logística. Empresas que ainda dependem de processos descentralizados terão enorme dificuldade de adaptação.

E o risco não é apenas regulatório. Grandes embarcadores estão cada vez mais exigentes em relação à governança operacional e financeira de seus parceiros logísticos. Com isso, compliance, rastreabilidade, conformidade tributária e capacidade tecnológica passaram a pesar diretamente nas decisões comerciais.

Essa nova regulamentação mostra que o futuro da logística será cada vez menos tolerante à improvisação, e as empresas que entenderem isso agora não estarão apenas adequadas à norma, estarão mais preparadas para competir em um ambiente onde velocidade, conformidade fiscal, inteligência operacional e integração financeira passam a caminhar juntas.

*Guilherme Volpi é CEO da Soften Sistemas.

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