Brasil entra – mais incisivamente – no mercado de pelotas de biomassa

Da redação – 26.02.2016 – 

Planta da Cosan Biomassa, em Jaú (SP), já tem capacidade para produzir 175 mil toneladas anuais das chamadas pellets, que podem substituir carvão mineral e óleo vegetal. Parceria com a Sumitomo turbina a produção, que pode atingir 2 milhões de toneladas em dez anos.

A palavra pellet, pelota em inglês, é bastante conhecida no mercado de minério de ferro, sendo um produto com maior valor agregado e tendo no Brasil o maior exportador mundial da área. Agora outro tipo de pelota promete fazer o país marcar um gol de placa na área de energias renováveis: o pellet de resíduos de cana de açúcar das usinas produtoras de álcool. O mercado potencial é grande: nos próximos cinco anos a demanda atual de pelotas de biomassa deve saltar de 25 milhões para 40 milhões na avaliação da Cosan Biomassa. A empresa acaba de fechar um joint-venture com a japonesa Sumitomo para ganhar musculatura na área. A empresa nipônica, uma das maiores tradings mundiais em biomassa, entra com sua desenvoltura global no setor.

Com o acordo, a unidade da usina brasileira, localizada em Jaú, interior de São Paulo, poderá incrementar a sua produção atual de pelotas de biomassa a partir de cana de açúcar, cuja capacidade nominal hoje é de 175 mil toneladas anuais. As informações oficiais indicam que a planta poderá expandir sua produção para 2 milhões até 2025 e para até 8 milhões (em data não especificada).

A joint-venture (80% da Cosan) mira na substituição de outros tipos de combustíveis não sustentáveis, caso do carvão mineral, gás natural e óleo combustível e num mercado mundial que já usa pelotas de biomassa, mas fabricadas a partir de matéria-prima de madeira plantada, principalmente na Europa, Estados Unidos e Canadá. Prováveis consumidores naturais devem ser o Japão, a Coréia do Sul e países europeus, cuja dependência média do carvão mineral como combustível para geração de energia é de 30%.

“O Japão deve importar entre dez e vinte milhões de toneladas de biomassa peletizada até 2030. Acreditamos que uma parcela relevante desta demanda será atendida pela biomassa de cana-de-açúcar disponível no Brasil. A produtividade da cana no Brasil e o fato de utilizarmos um resíduo como matéria-prima criam um diferencial de sustentabilidade único no mundo”, afirma Yoshi Kusano, gerente geral de Biomassa da Sumitomo Corporation.

Segundo a Cosan, a cana-de-açúcar tem o potencial de suprir uma parcela crescente do mercado e o Brasil poderia entrar com pelo 80 milhões de toneladas de pellets anuais geradas, o equivale a três vezes o mercado mundial de biomassa peletizada. Apenas no estado de São Paulo este potencial chega a 45 milhões de toneladas de pellets.

“O Brasil já está entre os maiores produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo. O pellet de biomassa é uma nova commodity que está nascendo para atender a economia de baixo carbono”, diz Mark Lyra, CEO da Cosan Biomassa. “Com o aproveitamento dos resíduos agrícolas da cana-de-açúcar e a crescente preocupação com a mudança climática no mundo, o Brasil está posicionado para se tornar a Arábia Saudita da energia sustentável.” A perspectiva é de fazer o primeiro embarque de pellets para uma grande geradora de energia europeia ainda neste ano.

O projeto das duas empresas, financiado pela agência federal Finep, tem que ser validado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por autoridades reguladoras europeias, “Dois terços da energia da cana está na biomassa e hoje tal energia é aproveitada de maneira pouco eficiente ou desperdiçada completamente”, afirma Wanderley de Souza, presidente da agência.

Na estimativa da Finep, os Estados Unidos e Canadá exportaram em 2015 mais de 6 milhões de toneladas para Europa e Ásia enquanto o restante foi produzido localmente. A agência destaca ainda que o governo americano estuda a possibilidade de utilizar biomassa para reduzir sua dependência no carvão mineral.

Nesse caso, se apenas 5% do carvão for substituído por biomassa, o mercado norte americano rapidamente passará de exportador para importador, pois serão necessários 28 milhões de toneladas adicionais por ano para atender tal demanda. Somente com a demanda crescente na Europa e na Ásia o mercado precisará de 15 milhões de toneladas adicionais até 2030 e o maior recurso de biomassa não explorado do mundo se encontra no setor sucroenergético brasileiro.

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