Fazenda quer antecipar fim de benefícios fiscais à MMGD

Para o Ministério da Fazenda, o benefício fiscal para a MMGD faz parte de uma série de subsídios no setor elétrico que deixaram de fazer sentido

Por Redação

em 28 de Outubro de 2025
Painel fotovoltaico da Intelbras instalado em uma das comunidades (foto: divulgação).

O Ministério da Fazenda quer antecipar o fim dos benefícios fiscais concedidos à micro e minigeração distribuída de energia (MMGD), que são os consumidores que geram energia por meio de placas fotovoltaicas em suas casas. Segundo o jornal O Globo, a intenção é fazer uma nova reforma nos custos no setor elétrico e promover o que chama de “justiça tarifária”.

As medidas foram propostas por meio de emenda à medida provisória (MP) 1300/25, que reforma o setor elétrico e ainda está em tramitação no Congresso Nacional. A expectativa é de que o relator do texto, senador Eduardo Braga (MDB-AM), apresente a proposta ainda esta semana para ser votada em comissão e depois nos plenários da Câmara e do Senado.

Segundo o secretário de Reformas Econômicas da Fazenda, Marcos Pinto, o benefício fiscal para a MMGD faz parte de uma série de subsídios no setor elétrico que deixaram de fazer sentido na visão do governo e que estariam distorcendo o funcionamento do mercado e “levando a gente para um caminho sem saída. Assim como acontece na tributação da renda, aqui a gente tem o morador da cobertura deixando de pagar o condomínio e os outros moradores tendo que pagar mais por isso”, argumenta.

Entenda como funciona o subsídio à MMGD e como a Fazenda quer mudar

Quem aderiu a um sistema de MMGD até o início de 2023, atualmente não precisa pagar pelo uso da rede de distribuição e tem compensação integral pela energia injetada no sistema. Esse benefício vale até 2045, mas a proposta do governo é que, a partir de 2026, todos os consumidores passem gradualmente a pagar esses custos, em um período de transição que será concluído em 2029, quando o pagamento será integral. Outra alternativa seria manter os benefícios até 2030, no lugar de 2045.

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A Fazenda calcula que esses incentivos custam R$ 14,3 bilhões neste ano para os demais consumidores neste ano. Além disso, o secretário afirma que isso causa desequilíbrios para o setor. Ainda segundo o ministério, o fim dos subsídios preserva a viabilidade econômico-financeira dos novos empreendimentos porque o prazo de amortização de investimentos em MMGD é inferior a quatro anos.

Setor critica fim de subsídios

A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) considera grave e injustificada a proposta do Ministério da Fazenda de antecipar o fim do tratamento tarifário assegurado por lei à micro e minigeração distribuída. Segundo nota da entidade, o posicionamento da pasta parte de uma premissa equivocada e tecnicamente incorreta, que ignora a natureza jurídica, econômica e social da geração distribuída no Brasil.

“É fundamental destacar que a Lei Federal nº 14.300/2022 estabeleceu o marco legal da GD e, portanto, a segurança jurídica para os consumidores que investiram do próprio bolso na instalação de painéis solares. E ao contrário do que tenta sugerir o Ministério da Fazenda, não existe subsídio na GD, porque não há qualquer custo ao Tesouro Nacional”, argumenta a nota. O custo, no entanto, seria repassado aos demais consumidores, segundo o governo.

A ABGD também critica o argumento de “justiça tarifária”, “que tem sido usado como cortina de fumaça para justificar retrocessos e recentralizar o setor elétrico, em benefício de poucos e em detrimento da sociedade. A ABGD reitera que qualquer reforma do setor elétrico deve ser pautada pelo diálogo, pela previsibilidade e pela justiça, não pela submissão a interesses concentrados ou pelo impulso arrecadatório”, encerra.

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